Regiões preparam-se para atrair o agronegócio

Publicado por: MilkPoint

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O agronegócio brasileiro caminha para sua forma mais avançada de organização: o agricluster. No setor rural, agricluster é unir no mesmo local cadeia produtiva (cooperativas e associações), fornecedores de insumos, institutos de pesquisa, universidades, bom acesso aos mercados consumidores, além do motor do processo: uma grande indústria.

O Brasil possui hoje três grandes clusters, localizados em Barreiras (BA), Cascavel/Maringá (PR) e no Sudoeste de Goiás. O Estado do Mato Grosso também merece destaque, embora seus pequenos clusters estejam espalhados por regiões como Alto Teles Pires ou Parecis. Mas foi no sudoeste de Goiás que se formou o mais completo exemplar da idéia, devido à presença da Perdigão em Rio Verde (GO).

"O cluster não acontece por acaso. A região precisa se preparar", disse o coordenador de cursos e projetos do Centro de Estudos Agrícolas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), Mauro Rezende Lopes, durante o 1o Congresso de Agribusiness, organizado pela Associação Brasileira da Agricultura (Abag).

Para Lopes, é mais fácil uma grande empresa investir se a região estiver preparada. Essa teoria poderia explicar os rumores da instalação de uma esmagadora de soja em Barreiras. Já no Paraná, onde a agroindústria ainda é modesta, as cooperativas da região podem agilizar esse processo.

O cluster é o caminho natural de atividades em expansão e pode recuperar setores em dificuldades. Na opinião de Lopes, o setor avícola traz boas oportunidades de investimento, devido ao baixo impacto do "Risco Brasil" (impostos, juros, encargos sociais) e ao pequeno gasto em terra, capital e mão-de-obra.

Segundo a FGV, a margem líquida atual do frango para exportação é de 41,5%. Retirando o "Risco Brasil", a porcentagem sobe para 44,32%. No setor de frango, só 32% da produção está comprometida como terra, mão-de-obra e capital.

Já café e leite são os lanterninhas da lista. Sem o impacto do "Risco Brasil", a margem do produtor de leite tipo C subiria dos atuais 3,13% para 18,75%. Os ganhos obtidos com o café torrado e moído conillon subiriam de 27,71% para 40,32%. No setor leiteiro, 94% do valor da produção está comprometido com terra, capital e mão-de-obra. No café, o percentual é de 53%.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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