Queijo Minas Artesanal agora é Patrimônio Cultural da Humanidade

Após um período de dois anos de espera, a produção artesanal do queijo mineiro se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

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Após um período de dois anos de espera, a produção artesanal do queijo mineiro se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco. 

O queijo Minas, que já possui o selo brasileiro de patrimônio cultural, conquistou nesta quarta-feira (04/12) o reconhecimento internacional. Durante a 19ª Sessão do Comitê Intergovernamental da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, realizada em Assunção, capital do Paraguai, o tradicional 'jeitinho mineiro' de fazer queijo foi oficialmente reconhecido. Atualmente, Minas Gerais detém cerca de 62% dos bens culturais do país.

O presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Leandro Grass, destaca a importância da agricultura familiar e das comunidades rurais para o Brasil. "O queijo não tem valor sem a parte humana, por isso, não é simplesmente o queijo minas que deve se tornar patrimônio, mas sim os modos de fazê-lo", diz.

Segundo ele, o reconhecimento de patrimônio da humanidade abrirá portas para o aumento das discussões sobre diferentes formas de produção em um cenário marcado por mudanças climáticas. "Por trás da história do queijo minas, nós temos a história do Brasil e da agricultura familiar. Transformar esse produto em patrimônio aumenta a responsabilidade que devemos ter com a sua produção e com todos aqueles envolvidos neste processo", diz.

O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira, diz que o reconhecimento mundial trará uma oportunidade de fortalecimento econômico e social para os produtores e suas comunidades. "O queijo minas simboliza os modos de vida, o trabalho, o saber tradicional transmitido por gerações e a relação íntima dos mineiros com seu território. Ele reflete a história das comunidades nas montanhas e práticas sustentáveis de produção", afirma.

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A busca pelo reconhecimento foi iniciada pela Secult-MG (Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais) e pelo Iphan, em parceria com associações de produtores e outras entidades.

Na apresentação da candidatura, o Iphan defendeu que a produção de Queijo Minas Artesanal é uma tradição com mais de 300 anos, que utiliza técnicas ancestrais transmitidas há gerações e que preserva a memória e o modo de vida das comunidades. Está associada também à valorização da agricultura familiar, inclusão social, harmonia com a natureza e cuidados com o bem-estar dos animais.

A origem do Queijo Minas Artesanal está relacionada à descoberta do ouro na então Capitania das Minas Gerais, que viria a se tornar província em 1822, ano da Proclamação da Independência, e Estado em 1899, ano da Proclamação da República.

O queijo artesanal é feito com leite cru, em pequenas propriedades rurais e com produção de leite própria. Maquinários industriais não são utilizados e a maturação deve ser feita naturalmente. É comum que os modos de produção do laticínio sejam transmitidos entre gerações. Elementos como o solo, o clima e a alimentação dos animais influenciam diretamente no sabor e na textura.

Segundo a Secult-MG, o estado tem cerca de nove mil produtores do queijo minas artesanal que geram aproximadamente 50 mil empregos diretos e indiretos. A produção anual do queijo atinge cerca de 40 mil toneladas, com uma renda que ultrapassa R$ 2 bilhões por ano.

O estado tem dez regiões produtoras de queijo minas artesanal reconhecidas: Araxá, Campo das Vertentes, Cerrado, Serra da Canastra, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro, Serra do Ibitipoca, Diamantina e Entre Serras da Piedade e do Caraça.

Eudes Braga, produtor do queijo no Cerrado, é o primeiro da família a se envolver no setor, mas tem mais de 20 pessoas trabalhando em sua fazenda. Ele espera que seus filhos também continuem na área. Para Braga, o reconhecimento deverá trazer dignidade ao produtor. Além do modo de fazer, ele destaca a necessidade do cuidado com os animais, com as questões ambientais da fazenda e com a capacitação de seus colaboradores.

Para Gustavo Ramalho, proprietário da queijaria Estância Varela, a transformação do queijo em patrimônio representará também a valorização da cadeia produtiva e trará esperança de padronização e organização dos processos para o produto crescer ainda mais. "Meu bisavô trouxe essa tradição para nossa família, que se tornou sustento durante muitos anos. De uma diversão infantil aos domingos, de 'brincar de fazer queijo', hoje se tornou minha principal fonte de renda", diz.

A produtora de Monte Carmelo Maria Elena Mota trabalha com o queijo há 35 anos e conta que costumava comer o produto produzido pela mãe. Hoje, o alimento é sua principal fonte de subsistência. "A gente poder colocar a mão no nosso produto e dizer que ele representa um patrimônio é muito importante", diz.

Para o presidente do Sistema Faemg Senar, Antonio de Salvo, o reconhecimento da Unesco ressalta um produto que é a cara de Minas Gerais e tem valor histórico para a população. “Para os produtores rurais é um ganho espetacular porque chancela o valor do produto atualmente. Resgata o valor de um produto que vem de gerações passadas e se mantém vivo. E eterniza a tradição de produzir o Queijo Minas Artesanal”, disse.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, celebrou. "Esse é um produto nosso, que representa nossa mineiridade e é muito importante, também, pois vai aumentar o turismo em Minas, contribuir para a renda de milhares de produtores familiares. A partir de agora, nós temos aqui em nosso estado um dos pouquíssimos alimentos do mundo declarados como patrimônio cultural e imaterial da humanidade, e o primeiro a ser declarado no Brasil", destacou Romeu Zema.

É a primeira vez que um modo de produção tradicional do Brasil passa a ter esse reconhecimento internacional. Os patrimônios da Unesco são divididos entre materiais —compostos por bens tangíveis —e imateriais, que estão ligados a tradições e costumes de determinada região. Segundo o Iphan, no Brasil, seis expressões culturais já são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial pela Unesco: o samba de roda no recôncavo baiano; a arte kusiwa, o frevo, o círio de nossa senhora de Nazaré; a roda de capoeira e o complexo cultural do bumba meu boi.

 

 

As informações são da Folha de São Paulo, Globo Rural e Agência Minas. Adaptadas pela equipe MilkPoint.

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