Queijo de vinho e café: produtos artesanais do Ceará ganham sabores curiosos e conquistam mercado

Camarão, vinho, presunto e azeitona: esses são alguns dos sabores que os queijos artesanais ganham nas mãos dos produtores cearenses.

Publicado por: MilkPoint

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Produtores de queijos artesanais cearenses estão inovando com sabores como camarão e vinho, destacando-se na PEC Brasil 2026. Luiz Carlos Lima investe em queijos recheados, enquanto Carlos Mandacuru resgata técnicas tradicionais com cura no vinho. A Fazenda Santa Mônica, com queijo azul, teve faturamento superior a R$ 1 milhão em 2023. A certificação é um desafio para pequenos produtores, que priorizam qualidade e histórias por trás dos produtos.

Camarão, vinho, presunto e azeitona: esses são alguns dos sabores que os queijos artesanais ganham nas mãos dos produtores cearenses. Sediadas principalmente no Sertão Central e no Vale do Jaguaribe, as pequenas queijarias do interior do Ceará estiveram presentes na PEC Brasil 2026, em Fortaleza.

Há quatro anos, Luiz Carlos Lima decidiu mudar os rumos da sua produção de queijos ao investir no alimento recheado. Entre os sabores, estão camarão, carne de sol, pimenta, presunto, alho-poró e chimichurri. "Eu planejo fazer muito queijo diferente. Eu quero fazer agora queijo de cachaça; vou fazer o de cerveja também. Vamos sempre procurar um negócio diferente. Eu não quero só fazer, eu quero fazer com diferencial", conta.

A ideia promissora permitiu que Luiz Carlos deixasse de ser funcionário de outro produtor e focasse no próprio negócio ao lado da esposa. As variações do queijo são vendidas a cerca de R$ 50 o quilo. A produção processa cerca de 3 mil litros de leite por dia, que rendem cerca de 350 kg de queijo. Agora, Luiz Carlos quer adentrar também no mercado de iogurte e ricota.

Figura 1
Foto: Ismael Soares.

Queijo de vinho

Carlos Mandacuru, mestre queijeiro da Fazenda Carapuça, de Quixeramobim, resgatou o método de cura e prensagem do queijo que sua bisavó fazia. Ele incorporou à técnica marinar o alimento no vinho por quatro dias.

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Segundo o mestre queijeiro, o álcool não penetra no queijo, mas o alimento absorve o aroma e a cor avermelhada da casca. Um dos carros-chefe da fazenda é o kit com quatro peças dos queijos mais vendidos: de vinho, chimichurri, defumado e coalho tradicional. "A gente pensou nas pessoas que iriam fazer tábuas de frios, um churrasco, receber pessoas em casa. Você tem os quatro sabores numa peça só, em vez de comprar quatro peças separadas", comenta. 

Figura 2

Foto: Luciano Rodrigues/Diário do Nordeste.

Carlos aponta que a queijaria artesanal tem como propósito resgatar valores afetivos da cultura cearense. "Quando alguém prova um queijo desses, lembra do interior e diz 'isso aqui é parecido com o queijo que minha bisavó fazia'. O sabor da indústria é tudo controlado e não tem aquela acidez. Aqui não, é um leite cru que vai se transformando com o passar dos dias", comenta.

O tempo de maturação dos queijos da Fazenda Carapuça vai de 12 a 15 dias. A peça com 600 g do produto é comercializada a cerca de R$ 42.

Faturamento milionário com queijo azul

Outro queijo artesanal cearense que tem ganhado força é o queijo azul do tipo Gouda da fazenda Santa Mônica. A produção artesanal iniciada em 2023 já entrega toneladas de diferentes queijos com faturamento acima de R$ 1 milhão. O queijo NotreTerroir recebe uma faixa azul em homenagem a um açude de águas azuladas dentro da propriedade.

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Ainda há a produção de outros dois queijos: o GranaBambino e o GranaMadona, com maturação entre três meses e seis meses, em uma espécie de "recriação" do legítimo parmesão, originário da Itália.  Investir em diferentes tipos de queijo é a forma encontrada pelas produções artesanais de aumentar o valor agregado, comenta Fábilla Cristianny Aquino Diógenes, presidente da Associação Queijo Cearense. 

Figura 3

Foto: Ismael Soares.

A produtora aponta que a certificação é importante para que as propriedades alcancem grandes mercados, mas não é uma realidade viável para boa parte dos pequenos queijeiros. "A gente vende história, vende qualidade. Quando o produtor apresenta o produto, não querem saber se é certificado. Mas somos responsáveis e entendemos que precisamos conseguir um meio-termo. Batalhamos para estar regularizados e comercializar nossos produtos onde desejar, independentemente do espaço físico", explica.

As informações são do Diário do Nordeste, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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