Depois de ocupar parte dos mercados do Sul e do Sudeste, a Rio Bonito Empreendimentos Agropecuários, fabricante curitibana de doces e queijos, alcança agora o Nordeste, para onde está levando alguns itens de sua produção local, que absorve mensalmente cerca de 340 mil litros de leite provenientes de uma fazenda da empresa no Paraná. Presente no Estado há 10 anos e desde 1998 em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, a Rio Bonito, que ainda opera artesanalmente, prepara-se para lançar, inicialmente em Pernambuco, sua linha de "queijos do reino".
A empresa aposta na tradição nordestina de troca de queijos do reino entre amigos e familiares na época das festas de fim de ano. "É um produto que vende muito naquela região, principalmente no Natal e no Ano Novo", explica a diretora, Dora Demeterco. Ela não revela quanto está sendo investido na operação, mas espera um incremento no faturamento, que no ano passado foi de R$ 6 milhões. Os queijos representam 85% da receita.
O queijo do reino da Rio Bonito foi escolhido como o melhor produzido no Brasil no 29° Concurso Nacional de Produtos Lácteos, realizado no final de julho em Juiz de Fora, Minas Gerais, terra onde se fabrica os melhores queijos do País. O evento é promovido pelo Instituto Cândido Tostes (ICT), a única escola da América Latina que forma técnicos em laticínios, e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).
Premiada neste concurso pelo segundo ano consecutivo, a Rio Bonito concorreu com mais de 100 empresas. Conquistou a primeira colocação também nas categorias parmesão e originalidade. Nesta última, vencida pelo Crostini, snack crocante à base de provolone, o segundo lugar ficou com outra exclusividade da empresa, o Arlequino, queijo tipo minas condimentado.
Ao mesmo tempo em que planeja seu ingresso no mercado nordestino, a indústria lança novos produtos para se fortalecer no Sul e no Sudeste. Ainda sem data definida, a nova linha de coalhada e um creme de leite será comercializados nas gôndolas dos supermercados e pontos-de-venda dos Estados onde já atua.
A produção de doces é artesanal e remete aos costumes da compota. São feitos sem o uso de conservantes e embalados em copos de vidros num processo de esterilização em banho-maria, como as compotas de antigamente. A diretora da empresa admite que seus produtos não são considerados baratos. "Mas a linha de consumidores está crescendo muito", diz.
Para atender a expansão desse mercado, a Rio Bonito está desenvolvendo novos doces e criando embalagens mais atrativas. "É um produto diferenciado, mais refinado. Já investimos muito nos queijos, agora vamos nos dedicar um pouco mais aos doces", afirma.
A Rio Bonito nasceu há dez anos, na fazenda da família Demeterco, proprietária da rede Mercadorama de supermercados. Naquela época, iniciou-se o plantio de verduras para abastecimento das lojas da cadeia. "O projeto tornou-se inviável em função dos altos encargos trabalhistas", lembra Dora. A empresa passou, então, a plantar soja e milho e a produzir leite com a aquisição das primeiras vacas. "Surgiu, então, a necessidade de escoar os 60 litros diários de leite. Foi aí que começamos a fabricação de doce de leite, que era vendido no Mercadorama, com marca própria", recorda.
Com a venda da rede, em 1998, para o grupo português Sonae, a Rio Bonito passou a produzir queijos pasteurizados com a sua marca. Com o tempo, ampliou-se o mix com queijos do reino, parmesão, scamozza, provolone e Arlequino, queijos trançados, defumados, minas frescal e ricota.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Cynthia Calderon), adaptado por Equipe MilkPoint
Queijo artesanal do Paraná entra no mercado nordestino
Publicado por: MilkPoint
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