Queda de importações brasileiras leva Argentina e Uruguai a procurar novos mercados

Publicado por: MilkPoint

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O Brasil deverá reduzir a importação de leite e derivados pela metade neste ano, baixando de cerca de 1,8 bilhão de litros para cerca de 900 milhões de litros, segundo previsões feitas pelas indústrias. Essa redução foi impulsionada pelo avanço da produção brasileira, pela desvalorização do real frente ao dólar e pelas medidas adotadas pelo governo brasileiro para combater importações danosas ao mercado interno. Neste cenário, os demais países do Mercosul, especialmente a Argentina e o Uruguai – grandes produtores de leite – viram-se obrigados a buscar novos mercados para vender seu produto.

Porém, na opinião do secretário geral da Federação Panamericana de Laticínios (Fepale), Eduardo Fresco León, dificilmente estes países conseguirão compensar as perdas provocadas pelo corte feito pelo Brasil em suas compras externas de produtos lácteos. León participou do Seminário Internacional sobre Competitividade do Setor Leiteiro nos Países do Mercosul Ampliado – que inclui o Chile e a Bolívia, além do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – que foi realizado em Goiânia (GO), e promovido pela Fepale, pela Embrapa Gado de Leite, pela Federação da Agricultura de Goiás (Faeg) e pelo governo do Estado de Goiás.

O Uruguai será provavelmente o país mais afetado pela redução nas importações brasileiras de lácteos, uma vez que, segundo León, este país destina cerca de 70% de suas vendas externas de lácteos ao Brasil. O País representa o maior mercado da região, com um consumo de quase 22 bilhões de litros por ano, mais de duas vezes o tamanho do mercado argentino e 16 vezes maior que o do Uruguai. A indústria uruguaia exporta 60% do leite que produz, o que representa cerca de 840 milhões de litros por ano, sendo que, deste total, cerca de 590 milhões de litros eram destinados ao Brasil.

No caso da Argentina, com uma produção ao redor de 9 bilhões de litros, o impacto poderá não atingir as mesmas dimensões do Uruguai, já que apenas 10% a 12% daquele total são exportados. Porém, em volume, as exportações de lácteos argentinas – cerca de 1 bilhão de litros anuais – são 20% maiores do que as do Uruguai, sendo que, deste volume, quase 480 milhões de litros eram vendidos ao Brasil. Desta maneira, somados, os dois países eram responsáveis por praticamente 60% do leite importado pelo Brasil.

“Esses países estão buscando desesperadamente novos mercados.” Argentina e Uruguai negociam e já iniciaram embarques para México - um mercado até então fechado a investidas de outros produtores de leite, Estados Unidos, Peru, Venezuela e países do Oriente Médio e Ásia. A exploração de nichos no mercado externo, sustentada por políticas de redução de custos e ganho de eficiência, é considerada como a única alternativa para escoar a produção excedente da região.

Segundo León, tanto na Argentina como, de modo mais evidente, no Uruguai, o consumo interno de lácteos está consolidado e o mercado, saturado. “Os uruguaios, por exemplo, consomem 100 litros per capita por ano acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 150 litros por habitante/ano.” O secretário geral da Fepale prossegue afirmando que o quadro na Argentina é semelhante, a despeito da grave crise que o país enfrenta.

O rearranjo do mercado, que impulsiona os países da região em direção a mercados ainda inexplorados ou explorados de forma incipiente, enfrenta um novo complicador neste ano. Além de reduzir suas importações, o Brasil passou a exportar leite. Até o final do ano, a Embrapa Gado de Leite estima que as vendas externas de laticínios atingirão cerca de US$ 40 milhões, envolvendo o embarque de mais ou menos 200 milhões de litros (menos de 1% da produção nacional).

Os volumes são baixos e um incremento das vendas brasileiras dependerá, no próximo ano, de uma recomposição dos preços recebidos internamente pelos produtores, lembra o chefe geral da Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela - Os preços pagos pela indústria aos produtores têm variado, segundo León e Vilela, entre US$ 0,08 e US$ 0,15 o litro, diante de um preço médio de US$ 0,15 na Argentina e no Uruguai. O fato é que, neste ano, a disparada do dólar e a queda dos preços em reais a partir de junho, tornaram a produção brasileira mais competitiva frente a seus parceiros de Mercosul.

Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
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