Em função dos baixos preços verificados no ano passado, muitos produtores de leite nos EUA deixaram a atividade. Entre julho de 2000 e junho de 2001, cerca de 6307 fazendas fecharam as portas, uma média de 17 a cada dia.
Os maiores declínios ocorreram no Meio-Oeste (Wisconsin, Illinois, etc. ) e no Sudeste (Flórida, Georgia, etc.), com 8,5% e 8,4%, respectivamente. O menor declínio ficou com a região Oeste (Califórnia, Idaho, Utah, etc.), com 3,6% (tabela 1).
Tabela 1. Produtores de leite nos EUA, em 2001

Analisando o cenário que vem ocorrendo desde 1992, percebe-se, além da redução no número de fazendas, a redução no número de vacas, mas o aumento no número de vacas por fazenda (tabela 2). Nota-se uma brutal redução nos rebanhos, da ordem de 42% em 10 anos, sem grandes distinções entre regiões do país. Mesmo o Oeste, o destino da pecuária de leite na década de 90, verificou redução no número de rebanhos. Há 10 anos atrás, havia mais fazendas no Meio-Oeste do que hoje no país inteiro.
Já o número de vacas também foi reduzido, ficando pouco acima dos 9 milhões de cabeças (o Brasil teoricamente tem entre 15 e 17 milhões, mas produz menos de um terço). A única região que aumentou o rebanho foi justamente a região Oeste (significativos 37% de aumento), ficando a maior queda por conta do Sudeste, onde as condições para produção de leite não são as mais adequadas, onerando o custo de produção. Também impressiona o aumento do número de vacas por propriedade, especialmente na região Oeste, onde o tamanho médio de 288 vacas – já significativo – quase dobrou em 10 anos, atingindo 560 vacas por fazenda. É interessante notar que três das quatro regiões – Sudeste, Meio-Oeste e Nordeste – verificaram redução no número de rebanhos similar ao aumento do número de vacas por fazenda, sugerindo que os produtores que ficam estão reagindo de forma semelhante à redução das margens de lucro, aumentando a escala de produção.
Apesar da redução no número de fazendas e de vacas, a produção de leite subiu neste período, saindo de 68 bilhões de litros em1992 e atingindo 76 bilhões no ano passado. A produção por vaca subiu nada menos do que 21% no mesmo período.
Tabela 2. Alterações nos últimos 10 anos verificadas na estrutura de produção de leite dos EUA*

* número de vacas obtido através dos relatórios da NASS
O levantamento realizado anualmente nos EUA é patrocinado pela revista Hoard’s Dairyman, pelas cooperativas Dairy Farmers of America e Land O’Lakes, pelas associações Michigan Milk Producers Association, Maryland & Virginia Milk Producers, International Dairy Foods Association e Illinois Milk Producers Association. Inclui todas as propriedades com licença para produzir leite e que dependem da venda de leite, tanto leite-consumo (Grade A), de melhor qualidade, quanto leite-indústria, de qualidade inferior. Em relação a isto, o levantamento mostrou que, de 1992 para 2001, o número de estabelecimentos que produzem leite-indústria caiu de 25.539 para 9.614, ou 62%. Já o número de fazendas que produzem o Grade A caiu apenas 37% no mesmo período. Vale lembrar que o USDA, Departamento de Agricultura, fornece outro dado, listando 105.250 fazendas que possuem vacas de leite.
As mudanças refletem o dinamismo da atividade leiteira nos EUA, embora existam aspectos negativos decorrentes da drástica diminuição do número de produtores de leite nos EUA, especialmente nas comunidades locais. Diz o editorial da revista Hoard’s Dairyman, que foca principalmente o produtor do Meio-Oeste, com tradição na pequena propriedade:
“Para aqueles que falam unicamente em redução no número de “fazendas” ou “operações”, na verdade 6307 famílias mudaram suas vidas e carreiras no ano passado ... pararam de produzir leite ... venderam as vacas ... terminaram com rebanhos que demoraram anos para construir ... rebanhos com vacas especiais que eram como membros da família”.
Fonte: Hoard’s Dairyman, adaptado por Equipe MilkPoint