A Direção de Indústria Alimentícia da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina elabora mensalmente um informe estatístico sobre os dados fornecidos por um núcleo de indústrias leiteiras que representam 60% a 65% do total nacional. Recentemente foi divulgado o último informativo realizado, com as variações de produção durante todo o ano de 2002, onde a tendência de baixa continua (13% de queda em dezembro com relação ao mesmo mês do ano anterior), mas tende a se atenuar.
Os dados mostram que, a partir do mês de julho, quando tudo indicava um decréscimo cada vez mais pronunciado - com porcentagens que no começo do ano estavam com apenas um dígito e alcançaram neste mês a marca de 19,2% de queda -, nos meses seguintes se "estabilizaram" em valores de queda entre 14% e 16%, sempre relacionados ao mesmo mês do ano anterior.
Durante todo o ano de 2002 (janeiro a dezembro), a queda alcançou 14,4% com relação a 2001. Vale notar que, analisando-se a queda estacional de dezembro, com relação a novembro em dias constantes para os dois últimos anos, a queda em 2002 foi menos pronunciada (-4,7%) do que em 2001 (-6,2%).
A menor produção em todo o ano se explica devido a uma queda do volume produzido por propriedade leiteira de 5,8% e a uma redução de 9% no número de propriedades leiteiras. No mês de dezembro, no entanto, praticamente não houve variação na produção de leite por propriedade com relação ao mesmo mês de 2001, de forma que toda a queda se explica pela redução no número de propriedades leiteiras (-13% em dezembro de 2002, com relação a dezembro de 2001).
Ainda não foram analisadas quantas destas propriedades que saíram do circuito deste grupo de empresas hoje seguem produzindo leite e quantas fecharam definitivamente suas portas. Vale destacar que a redução no número de propriedades leiteiras da amostra pode ser devida à combinação de duas causas: o fechamento definitivo de estabelecimentos ou o fornecimento de leite dirigido às indústrias menores, com preços ou prazos de pagamentos mais convenientes ao produtor, ou ainda, com menores exigências com relação à qualidade do leite. Os membros das indústrias maiores argumentam que a intensidade desta transferência tem aumentado notavelmente nos últimos anos.
Exportações
O último mês de 2002 não foi diferente no que se refere ao ritmo que vinha sendo dado às vendas de lácteos ao exterior na Argentina, e os prognósticos feitos anteriormente de o país superar o volume de 200 mil toneladas em exportações foram cumpridos. O valor total foi de 210,406 mil toneladas, que representa 40,1% a mais de produtos lácteos exportados, com relação ao ano de 2001, ainda que seu valor final - devido às crises de preços ocorridas no mercado internacional de lácteos até metade do ano como conseqüência de uma importante sobre-oferta - não se traduziram em muitos dólares a mais.
De fato, comparando-se as exportações de 2001 e 2002, em termos de valores, o aumento foi pequeno: somente 5%, que representa os US$ 307 milhões de 2002 versus os US$ 292 milhões exportados em 2001. Isto ocorreu porque a queda de valor por tonelada foi muito importante: quase 26%. Em 2001, o valor médio da tonelada de lácteos exportada foi de US$ 1874 enquanto no ano passado, este valor alcançou US$ 1399.
Estas diferenças nas cotações levaram a Argentina a deixar de ganhar quase US$ 76 milhões. A uma produção estimada em 7,9 bilhões de litros em nível nacional, isto significa um valor de um pouco mais de três centavos de peso (0,91 centavos de dólar) por cada litro de leite produzido.
Com relação ao destino das vendas ao exterior, o Brasil continua sendo o principal destino, ainda que longe dos 80% exibidos há alguns anos. De fato, em 2002, o mercado brasileiro representou 41,57%, com 87,474 mil toneladas frente as 122,931 mil toneladas vendidas ao restante do mundo. Com relação a 2001, isto significou um aumento na participação, passando de 35,45% para 41,57%.
Em 30/01/03 - 1 Peso argentino = US$ 0,30395
3,29 Peso argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Queda de 14,4% na produção de leite e aumento de 40,1% nas exportações argentinas em 2002
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