Protesto dos produtores de leite pode afetar o abastecimento na Argentina

Publicado por: MilkPoint

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Com o início do protesto dos produtores de leite, a partir de hoje, planejado para durar 72 horas, é possível que a triste imagem de leite sendo derramado volte a aparecer nos jornais da Argentina.

Os produtores, que pedem um maior preço para a matéria prima, estimam que serão descartados cerca de 7 milhões de litros de leite, um produto de primeira necessidade, nestes três dias. Como se isso fosse pouco, também é possível que haja desabastecimento do produto na cidade de Buenos Aires e no interior.

O plano de ação dos produtores de leite de Buenos Aires, Santa Fe e Entre Ríos, o qual se inicia hoje - em Córdoba já foi iniciado ontem - consiste em bloquear a saída dos caminhões dos laticínios. "Os produtores de leite irão ordenhar as vacas como sempre fazem, mas o produto ficará nos tanques, sem ser utilizado", confirmou ontem o presidente da Confederação das Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), Dardo Chiesa.

No entanto, em sintonia com a situação crítica em que se encontra a economia da Argentina, muitos produtores optaram por entregar o leite aos setores mais necessitados de suas comunidades, ao invés de desperdiçá-lo.

"Vamos impedir pacificamente a saída de caminhões das fábricas, com produtos elaborados, mas iremos permitir o ingresso de leite para processamento", afirmou o produtor de Chivilcoy, José Beracochea.

Em relação ao preço dos produtos lácteos para os consumidores, já houve um aumento médio de até 25%, e poderão ocorrer mais aumentos até meados deste ano. "Com estes valores, os produtores continuarão encerrando suas atividades, a produção cairá para cerca de 6 bilhões de litros/ ano e as empresas terão que importar leite a cerca de 50 centavos de peso/litro (US$ 0,242), previu Chiesa. Os produtores argentinos estão exigindo 21 centavos (US$0,1017/litro) para o produto entregue em fevereiro e 24 centavos (US$ 0,1162) para o produto entregue em março.

Na opinião do presidente da Carbap, a recusa da indústria em pagar os valores solicitados pelos produtores "é um capricho e confirma o abuso se sua posição dominante no mercado".

A Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (Sagpya), juntamente com o órgão de Defesa do Consumidor, decidiram, na semana passada, fixar um preço mínimo provisório, por 90 dias, para o leite a ser pago aos produtores, de 20 centavos de peso/litro (US$ 0,0969/litro) na porteira da fazenda. No entanto, as empresas de produtos lácteos afirmaram que é impossível pagar estes valores. Por sua vez, as entidades agropecuárias, informaram que este preço mínimo não "satisfaz suas necessidades mínimas". Esta falta de entendimentos entre o setor produtivo, a indústria e os supermercados data de três anos, o que acarretou nos protestos atuais.

De acordo com dados do Indec, em dezembro de 2001, 69% da receita obtida com a venda de produtos lácteos ficaram com a indústria e supermercados; 17% ficaram para o estado, na forma de impostos, e apenas 14% ficaram para os produtores de leite. Três anos atrás este percentual era de 51% para indústria e supermercados; 17% para o estado e 31% para os produtores.

Desta maneira, desde a manhã de ontem, em Córdoba, os produtores já haviam se posicionado em frente de vários laticínios. Segundo afirmou um produtor desta província, o "produtor está submetido a uma escravidão, é um roubo o que nos pagam: desta maneira é impossível se manter na atividade e não passará muito tempo para que o país fique sem produtores e sem leite".

A idéia principal do protesto, segundo afirmam os manifestantes, é que a escassez do produto seja percebida na capital do país". "É importante que sintam o desabastecimento e compreendam que a indústria não pode continuar pagando o mísero preço atual de 5 centavos de dólar por litro de leite", afirmou um produtor.

Fonte: La Nación (por Franco Varise) e TodoAgro, adaptado por Equipe MilkPoint
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