Em 2001, as exportações dos principais produtos lácteos atingiram a marca de US$ 26 bilhões, pouco menos de 6,5% das exportações agrícolas mundiais. Esses números poderiam ser bem maiores, não fosse o protecionismo dos países desenvolvidos, com destaque para União Européia, Japão e Estados Unidos.
Pesquisadores da Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics simularam o impacto de um aumento no acesso ao mercado dos países desenvolvidos, por meio de um incremento de 100% nas cotas e uma redução simultânea de 50% nas tarifas de importação.
O resultado da simulação apontou uma elevação de 20% dos preços internacionais para o leite em pó desnatado, 15% para o leite em pó integral, 24% para os queijos e 28% para a manteiga. Também haveria aumento dos volumes exportados de leite em pó desnatado, manteiga e queijo, na ordem de 5%, 7% e 11% respectivamente.
No caso do leite em pó integral, haveria redução de cerca de 2% do volume das exportações mundiais. O valor bruto da produção de lácteos cresceria nos países mais competitivos e diminuiria nos países que protegem os produtores domésticos.
O valor da produção de leite da Austrália teria incremento de 7,3%, de 9% na Nova Zelândia e de 6,9% na Argentina. Já a UE teria redução de 1,4% e os EUA, de 1,2%. Em relação aos demais produtos lácteos, o quadro é semelhante. Austrália, Nova Zelândia e Argentina teriam ganhos de 9,3%, 10,6% e 9,4% respectivamente. UE e EUA perderiam 1,6% e 1,4%.
Subsídios
O estrago dos subsídios às exportações não é menor. Para avaliar o impacto, os pesquisadores simularam a redução de 50% dos níveis atuais de subsídio às exportações.
Quanto ao leite, a Argentina teria um incremento de 14,9% no valor bruto da produção. A Austrália ganharia mais 6,7% e a Nova Zelândia, 9,4%. A UE teria redução de 4,9%, em virtude do deslocamento de suas exportações por produtores mais competitivos. Nos EUA, o impacto seria quase nulo.
A redução dos subsídios às exportações dos demais produtos lácteos também teria efeitos importantes sobre o valor da produção nos principais países produtores. A Argentina teria crescimento de 17,5% no valor da produção, enquanto Austrália e Nova Zelândia apresentariam crescimento de 8,3% e 10,6%, respectivamente. Mais uma vez, a União Européia seria a maior perdedora, com redução de 5,5% no valor da produção de lácteos (exceto leite). Nos Estados Unidos, a perda foi estimada em 0,1%.
Fonte: O Estado de São Paulo/Suplemento Agrícola (por Rubens Nunes), adaptado por Equipe MilkPoint
Protecionismo prejudica exportação de lácteos
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