Prosseguem as liqüidações de plantéis leiteiros

Publicado por: MilkPoint

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Muitos empresários que ao longo das últimas duas décadas investiram pesado na formação de plantéis de gado leiteiro de elite e na compra de equipamentos para processar o leite na própria fazenda continuam desistindo da atividade. Muitos alegam que as baixas margens de lucro dificultam a recuperação do capital investido. No entanto, o problema parece localizado nas produções mais tecnificadas, pois alguns indicadores básicos do setor mostram que, de maneira geral, a atividade progride.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), em 2000 foi produzido 1,99 milhão de toneladas de ração para gado leiteiro. No ano passado essa produção chegou a 2,5 milhões de toneladas, com um crescimento invejável de 25%. Para este ano a estimativa é de produzir 2,74 milhões de toneladas e crescer 9,4%. Além disso, as estatísticas oficiais mostram que a produção nacional de leite chegou a 20,8 bilhões de litros em 2001, 1 bilhão a mais que no ano anterior.

Um dos empresários que está deixando a atividade é o ex-ministro Pimenta da Veiga. No dia 30 de maio ele vendeu 280 animais, além de máquinas agrícolas, veículos usados na atividade, equipamentos e a usina de pasteurização de leite tipo A.

A filha do político, Isadora Veiga, responsável pela administração da fazenda, diz que a família está liqüidando seu plantel porque optou por investir em animais cruzados da raça pardo-suíço para rebanho de corte. "A decisão de vender o rebanho leiteiro não está relacionada com a crise do setor", explica. "Produzimos leite tipo A, de qualidade superior, o que nos garante preços bons", completa.

Agravamento

Os primeiros leilões do gênero, com abandono da pecuária leiteira, surgiram no fim da década de 90, mas o processo acelerou-se no segundo semestre do ano passado, considerado um dos piores para a atividade nos últimos tempos. "A situação do setor leiteiro agravou-se mesmo em setembro de 2001. Até o ano passado as liqüidações de plantéis vinham em ritmo normal", afirma o pesquisador e responsável pelo Projeto Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Leandro Ponchio.

Para o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela, a fusão das empresas compradoras prejudicou o setor. "No início da década de 90 o mercado de leite deixou de ser regulamentado pelo governo e, desde 1994, o consumo per capita vem crescendo, fatores positivos para o setor", explica. "No entanto, o lado austero do Plano Real foi a concentração das empresas compradoras e a redução dos preços pagos aos produtores. Quem esperava ter lucros exorbitantes com o leite está deixando a atividade".

"Atualmente, o mercado brasileiro de leite resume-se a 7 compradores e entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de produtores. O comprador paga quanto quer", afirma o proprietário da Fazenda Fidenza, localizada no município paulista de São Manuel, José Humberto Alves dos Santos.

Segundo Vilela os preços médios do leite eram de R$ 0,50/litro em julho de 2001, período de plena entressafra. "Quarenta dias depois os preços médios recuaram para R$ 0,28 por litro. Ninguém sobrevive num mercado com oscilações tão bruscas, principalmente os grandes produtores, que não conseguem reduzir os custos de produção de uma hora para outra", explica Vilela.

Fonte: O Estado de São Paulo, Suplemento Agrícola (por Fabíola Salvador), adaptado por Equipe MilkPoint
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