Projeto mineiro melhora a vaca, o leite e o queijo

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Aproveitando a vocação regional e partindo do trabalho iniciado pela Associação Comercial e Industrial de Rio Pomba (Acirp) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), vários órgãos mineiros se uniram e criaram o Circuito do Queijo. O projeto surgiu em 1998, dentro do Programa de Desenvolvimento Regional do Vale do Rio Pomba, região de Juiz de Fora (MG), e hoje engloba 16 municípios e 46 pequenas e médias agroindústrias.

A base do trabalho é o leite, que é transformado em queijos, iogurtes, doce de leite e sorvetes nas propriedades rurais e até mesmo em pequenas agroindústrias nas cidades. Também contempla outros produtos da agricultura, como rapadura, biscoitos e doces de frutas regionais, para aproveitar o pico de produção e conseguir uma renda extra.

Foco no leite

Desde o início, o presidente da Acirp, José Alcides Pereira, começou os contatos com outras prefeituras e possíveis parceiros. O Sebrae acompanhou as reuniões, conforme explica o coordenador do projeto Circuito do Queijo, Eduardo José Dilly. "Sugerimos a criação de uma agência de desenvolvimento, nos moldes de outras que existiam na zona da mata mineira, com o foco no leite e na agricultura", conta, acrescentando que a idéia era desenvolver um programa global, envolvendo meio ambiente, ecoturismo, turismo rural, esporte e lazer, legislação e legalização das pequenas e microindústrias, com inspeção estadual e municipal.

Outros parceiros uniram-se em torno desse trabalho. A Embrapa Gado de Leite, de Coronel Pacheco, começou a repassar a tecnologia de manejo alimentar, reprodutivo e sanitário do gado leiteiro. Assim, o projeto, que teve origem em Tabuleiro e Rio Pomba, expandiu-se para os municípios vizinhos: Coronel Pacheco, Dores do Turvo, Goianá, Guarani, Mercês, Oliveira Fortes, Paiva, Piau, Piraúba, Rio Novo, Santa Bárbara do Triângulo, São João Nepomuceno, Silverânia e Tocantins. Hoje, conta, também, com a participação da Escola Agrotécnica Federal e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

"A proposta era valorizar os produtos e fortalecer as pequenas agroindústrias, de forma a manter o pessoal no campo e na atividade leiteira", explica o chefe do Centro Tecnológico de Laticínios Cândido Tostes, unidade descentralizada da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Geraldo Alvin Dusi, outro parceiro no projeto. Dusi explica que a pecuária de corte está migrando para a região, ocupando o lugar do gado de leite nas áreas grandes, pela menor exigência em mão-de-obra.

A meta final do projeto, segundo ele, é o controle de qualidade do produto, porém, a primeira etapa é a certificação, com um selo de origem. "Vamos incentivar a montagem de quiosques à beira da estrada, com produtos do Circuito do Queijo, com o selo de origem, que será fornecido pela Agência de Desenvolvimento Rural (Ader) do Circuito do Queijo", diz Eduardo Dilly, do Sebrae. O órgão, em conjunto com o Instituto Cândido Tostes, acabou de realizar um diagnóstico para verificar as carências dos laticínios da região. "Com base nesse resultado, vamos desenvolver o Programa de Consultoria Tecnológica para melhorar o seu produto e outorgar o selo".

Fonte: O Estado de São Paulo, Suplemento Agrícola (por Beth Melo), adaptado por Equipe MilkPoint
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