Programa estadual mantém produção em alta no Rio Grande do Norte

Publicado por: MilkPoint

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A produção de leite no Rio Grande do Norte está estabilizada desde o último ano com tendência a um ligeiro crescimento nos dois últimos meses, em função das boas chuvas registradas no Estado. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Norte e Sindicato das Indústrias de Laticínios, Leônidas Ferreira de Paula, baseado em dados dos produtores.

Um dos motivos que garantem a manutenção da produção potiguar é o Programa do Leite. Desenvolvido pelo Governo do Estado, ele garante a compra de algo entre 20% e 25% da produção a um preço de R$ 0,43 por litro entregue na plataforma das indústrias. O produto chega aos 167 municípios atendidos ao preço de R$ 0,74 o litro, mas as indústrias são obrigadas a oferecer toda a infra-estrutura de conservação do produto. Estes preços são alvo de crítica pelo setor industrial, mas ninguém nega que o programa aqueceu o setor.

Segundo dados do Governo, O Programa do Leite, instituído em 1995, foi o primeiro passo para a retomada da atividade no Estado. A produção passou de 60 mil litros/dia naquele ano para 700 mil litros diários em 2001. Este ano, devido às chuvas, a média diária tem sido de 782 mil litros. O rebanho, que atualmente é 80% leiteiro ou misto, passou de menos de 500 mil para mais de 900 mil cabeças. O número de usinas subiu de três para 24 no mesmo período. No primeiro ano, o Governo garantia a compra de seis mil litros/dia, número que passou para 130 mil litros no ano passado.

Concorrentes

Apesar de o sindicato avaliar como positiva a estabilidade da produção e a tendência no aumento do consumo do leite pasteurizado, a concorrência com a bebida longa vida e em pó ainda é preocupante. A entidade já encomendou uma pesquisa sobre o consumo dos vários tipos de leite, uma vez que o último estudo neste sentido é de 2000.

A pesquisa realizada nos três maiores centros consumidores, Natal, Grande Natal e Mossoró, com um universo de 800 famílias, revelou que o produto em pó ainda é consumido por 60,8% das famílias que também consomem simultaneamente o líquido. No universo pesquisado o consumo semanal de leites fluidos in natura, pasteurizado e longa vida, chegava a 2.337 litros, contra 2.532 litros de leite pó.

Reversão

"Embora não tenhamos ainda dados estatísticos precisos, a tendência é de que este quadro tenha se revertido, principalmente em relação ao leite em pó", afirma Leônidas de Paula. Ele avalia que o alto consumo de leite em pó é provocado pela distribuição do produto pelas prefeituras, nos programas de merenda escolar, e pelo fato de ser um dos componentes da cesta básica.

Em relação ao leite longa vida, o sindicalista afirma que a principal dificuldade na concorrência é o preço, ele explica que o litro de leite em Goiás, por exemplo, custa em média R$ 0,18 e que a embalagem sai por algo entre R$ 0,25 e R$ 0,30, dependendo da tecnologia industrial. "Mesmo computando ainda os preços de frete e logística de distribuição, o produto chega ao consumidor potiguar por preços entre R$ 0,90 e R$ 1,30", afirma. No Rio Grande do Norte, o preço pago ao produtor, exceto o comprometido com o Programa do Leite, varia entre R$ 0,30 e R$ 0,35 dependendo da qualidade.

Segundo pesquisas do sindicato, do total de leite produzido no Estado, 130 mil litros diários são destinados ao Programa do Leite, 50 mil litros são exportados para o Estado da Paraíba e calcula-se que outros 100 mil litros diários sejam produzidos e distribuídos de maneira informal. O restante vai para as indústrias e chega ao mercado pasteurizado ou na forma de derivados.

Um dos ganhos do setor nos últimos anos foi a redução da oscilação no volume produzido nos períodos de seca, principalmente com a melhoria das matrizes e cuidados alimentares. "Há dez anos a produção chegava a ser insignificante nos períodos de seca e hoje a queda não chega a afetar o mercado", afirma. Calcula-se que atividade leiteira movimente algo em torno de R$ 40 milhões anualmente no Rio Grande do Norte.

Em Patos, in natura tem forte aceitação

Com atuação restrita ao mercado de Patos, uma das maiores cidades do Sertão paraibano, a indústria de laticínios Leite Daserra enfrenta a concorrência dos leites in natura comercializados no município, principalmente durante o período de inverno, quando a produção se intensifica. A empresa produz aproximadamente 15 mil litros por mês.

Segundo informou Ademir Firmino Lucena, do setor de pasteurização da Daserra, a empresa produz atualmente cerca de 500 litros de tipo C por dia. A produção é toda distribuída entre as padarias e mercadinhos de Patos. Cada litro é vendido para os estabelecimentos ao preço unitário de R$ 0,80. Para o consumidor, o produto é repassado por um preço que varia entre R$ 0,90 e R$ 1,00.

O leite Daserra, que é vendido em saquinhos de um litro, é atualmente o único produto comercializado pela empresa, desde que ela decidiu sair do mercado de doces por não obter o desempenho esperado em relação às vendas.

Lucena informou que o leite industrializado pela Daserra é adquirido de produtores rurais instalados nas proximidades do município de Patos e vem tendo boa procura por parte dos consumidores. O desempenho das vendas só chega a ser comprometido durante o inverno, quando o aumento da produção de leite leva os produtores locais a venderem seus produtos in natura de porta em porta, uma tradição de cidades do interior. "Esse tipo de leite afeta mais as nossas vendas do que os leites do tipo pasteurizado ou em pó", explica Lucena.

Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
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