Cooperativas e indústrias de lacticínios do Paraná podem iniciar a implantação do preço de referência antecipado do leite para os produtores a partir de junho. A proposta foi defendida por representantes da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) na reunião de ontem da CPI do Leite. O diretor Nelson Costa disse que a medida pode ser implantada como um projeto-piloto. ''Nada nos impede de iniciar isso imediatamente'', afirmou ele. A taxa de referência para os pequenos produtores de leite é uma reivindicação antiga.
De acordo com o relator da CPI do Leite, deputado estadual César Silvestri (PPS), até o final do ano passado os produtores recebiam R$ 0,18 por litro de leite, o que corresponde a cerca de um terço do preço cobrado do consumidor. Além deste problema, o parlamentar mencionou que os produtores entregam o produto nas cooperativas ou nas indústrias, e não sabem quanto vão receber e o valor correspondente é pago somente cerca de 45 dias depois. A idéia, conforme adiantou Silvestri, é que a indústria estipule um preço de referência a cada dois meses. "Este procedimento vai equilibrar o mercado interno e externo, bem como o custo dos insumos, que poderão ter acompanhamento da Secretaria da Agricultura, sindicatos do setor e da própria Assembléia", acredita.
Segundo o parlamentar, esta medida também facilitará a avaliação da produtividade, uma vez que o produtor poderá aumentar ou diminuir sua produção de acordo com o mercado. Ele contou que o Paraná conta hoje com 40 mil produtores, 90% são micros e pequenos produtores, e que a cadeia produtiva de leite é responsável pela geração de seis milhões de empregos em todo o País.
Antecipação
Algumas indústrias começaram a implantar este ano a antecipação do preço do litro do leite e apresentaram seus resultados na reunião de ontem. É o caso da Líder Alimentos. O advogado Fortunato Bérgamo contou que a experiência começou em fevereiro. A fixação dos preços tem sido mensal e são feitos contratos anuais com os produtores para evitar que eles migrem para outras empresas. ''É uma política que tem dado resultado. O produtor sabe o que fazer com isso para ter menor custo e maior rentabilidade', disse.
Na Batávia os preços são fixados através de um contrato anual com os produtores. Eles variam para o leite in natura de acordo com as oscilações do mercado. No caso da compra para uso na fabricação de lacticínios, os preços são pré-fixados. A Lacto está fazendo a experiência de pré-fixação do preço do leite em Dois Vizinhos, onde o produtor recebeu R$ 0,28 por litro nos meses de março e abril.
Para que a experiência seja estendida para todas as indústrias e cooperativas do Paraná, foi agendada uma reunião para discutir o assunto entre as comissões do Sindicato da Indústria do Leite do Paraná (Sindileite) e da Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep). A reunião será no dia 29 de maio.
Fonte: Folha de Londrina (por Luciana Pombo) e Gazeta do Paraná, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores querem pré-fixar preços do leite no Paraná
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