Produtores mineiros comemoram estabilidade no mercado

Publicado por: MilkPoint

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Estabilidade nos preços é o principal reflexo no mercado, depois das investigações promovidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito em Minas Gerais, a CPI do Leite. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Gilman Viana, outra mudança importante está na negociação com fornecedores, que está mais clara e menos onerosa para produtores e cooperativas.

Em Uberlândia, o preço do leite pago hoje ao produtor é 11% superior ao do ano passado. Parte desse aumento é atribuída pelo presidente da Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu), Jerônimo Gomes Ferreira, à maior tranqüilidade do mercado que, ao contrário do ano passado, não sofre com a ação dos grandes laticínios.

Em 2001, em plena entressafra, o preço do litro do leite chegou a ser vendido por R$ 0,24, isso no pico da estiagem, quando normalmente a cotação supera a casa dos R$ 0,40. Hoje, a Calu paga ao produtor R$ 0,41, com possibilidade de aumento no preço até o fim do período de seca. "A CPI trouxe um ambiente mais favorável ao pecuarista", acrescenta.

Amanhã (26), representantes das Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) dos seis Estados onde foram instauradas investigações entregam no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) os relatórios finais das comissões. A documentação servirá de base, segundo o presidente da Faemg, para uma nova investigação, agora em âmbito nacional. "Com essa medida cortamos uma etapa da investigação. O Ministério Público Federal e o Cade poderão agir sem precisar fazer uma investigação por Estado, já que essa etapa foi concluída", analisa.

No documento, segundo o presidente da Comissão de Leite da Faemg, Rodrigo Alvim, os produtores cobram ainda a implantação do Plano de Melhoria da Qualidade do Leite que, entre outras ações, estabelece a obrigatoriedade de granelização de toda a produção.

Viana acredita que a CPI cumpriu seu papel ao indicar as irregularidades que vinham sendo cometidas e os responsáveis pela formação de cartel e por abuso de poder econômico. "Esperamos agora que o MP puna os culpados. Não podemos mais permitir que o produtor de leite continue vivendo num clima de incerteza. Vamos acompanhar de perto a segunda etapa da investigação", acrescenta.

Já o presidente da Calu espera que, além de punição dos culpados, haja uma sensibilização do governo para os problemas do setor. Na avaliação do presidente da cooperativa, além de tranqüilidade e de regras claras para negociação, o produtor precisa encontrar um mercado com preços mais estáveis, oscilando entre US$ 0,15 e US 0,18. "A garantia de preços traz mais tranqüilidade ao produtor que se sente mais seguro para fazer investimentos em aumento de produção e qualidade do leite", finaliza.

Merenda escolar

A Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) analisa, nas sessões deste mês, seis propostas ligadas à comercialização e produção de leite no Estado. Todos os projetos foram apresentados depois da conclusão do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito do Leite (CPI), em abril.

Entre as propostas está a que obriga as empresas de laticínio a publicar, a cada três meses, as planilhas de custos da produção de leite e laticínios. Os deputados também vão avaliar a inclusão do leite na merenda escolar e a proibição da comercialização de bebidas lácteas que levem soro de queijo sob a denominação de leite modificado. Os deputados podem ainda impor alíquota de 30% de Imposto Sobre Produtos Industrializados (ICMS) para a venda dentro do Estado do soro de queijo para fins industriais.

Serão avaliadas também propostas para que o governo do Estado financie, por meio da Fundação Estadual de Pesquisas (Fapemig), o desenvolvimento de embalagens tipo longa vida mais baratas do que as hoje comercializadas no mercado.

Fonte: Jornal Correio/Uberlândia, adaptado por Equipe MilkPoint
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