Produtores e indústrias de Goiás assinam contrato de compra e venda de leite

Publicado por: MilkPoint

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Está acertado: o produtor goiano de leite vai saber, até o dia 25 de cada mês, o preço que receberá da indústria pelo litro do produto, podendo assim planejar melhor sua produção. A cotação vai levar em conta os parâmetros de mercado, custos de produção, valores de venda de produtos lácteos no varejo e dos programas de pagamento por qualidade e quantidade. Isso será possível por meio do contrato de compra e venda de leite in natura, resultado do acordo fechado entre representantes dos produtores e dos laticínios, que será assinado hoje no auditório da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de Goiás.

Pelo contrato a indústria se comprometerá a comprar todo o leite in natura produzido pelo pecuarista, conforme quantidade e qualidade estabelecidas. O vendedor, por sua vez, se compromete a entregar o produto dentro dos padrões de higiene sanitária, livre de adulterações de qualquer natureza. O preço do litro do leite, a ser adotado em cada mês, será definido e acordado entre os representantes dos vendedores e compradores até o 25º dia do mês anterior ao início da coleta do produto.

Avanço

O contrato de compra e venda de leite in natura é o resultado de um acordo inédito no País, que põe fim a um período de quase três meses de negociações. Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faeg), Macel Caixeta, trata-se de um avanço capaz de garantir segurança para o produtor rural, que chegou a receber preços considerados aviltantes pelo litro do leite.

Goiás tem cerca de 60 mil produtores de leite, responsáveis por cerca de seis milhões litros/dia. A maioria é composta por pecuaristas de pequeno porte, com produção diária de 100 a 400 litros diários.

"O produtor vai saber quanto receberá no mês seguinte pelo leite produzido, o que garantirá a ele a possibilidade de avaliar os custos de produção", disse Caixeta. Atualmente, informou, o pecuarista está recebendo, em média, R$ 0,37 pelo litro do leite, valor suficiente para cobrir os custos de produção, estimados em R$ 0,35 a R$ 0,36 o litro. Mas defendeu que o produtor precisa ter lucro para se manter na atividade e poder investir.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios (Sindileite), Domingos Villefort, destacou que Goiás será o primeiro Estado do País a implementar o contrato de compra e leite in natura. "Conseguimos chegar a um consenso, a um modelo que atende as duas partes, indústria e produtores", afirmou. O acordo valerá para os 43 grandes laticínios filiados à entidade que atuam em Goiás, responsáveis pela aquisição de mais de 70% do leite produzido no Estado, o equivalente a quase cinco milhões de litros/dia. Ele destacou que o preço será discutido mês a mês e será determinado pelo mercado.

O secretário da Agricultura, José Mário Schreiner, disse que o governo estadual atuou como mediador nas negociações entre laticínios e produtores de leite, procurando incentivar as partes a chegarem a um denominador comum. Ele lembrou que o governador Marconi Perillo colocou para apreciação do Conselho Deliberativo do Produzir/Fomentar a proposta de corte de incentivos para as indústrias do setor, caso elas não chegassem a um acordo com os pecuaristas. "O importante é que toda a cadeia do leite sairá beneficiada com esse acordo, que poderá servir de modelo para o Brasil", disse. Dessa forma, Goiás também não corre o risco de perder a posição de segunda maior bacia leiteira do País, acredita.

Veja os pontos principais do contrato

* O pecuarista (vendedor) se compromete a entregar à indústria (comprador) sua produção total de leite, dentro dos padrões de higiene sanitária, na sua forma integral, livre de adulterações de qualquer natureza

* Pela quantidade e qualidade, o leite poderá ser pago de forma diferenciada

* A indústria coletará o leite in natura na fazenda do produtor, em intervalos de até 48 horas, no caso de tanque de expansão, e de até 24 horas, no caso de latões. A retirada do produto ocorrerá conforme programação antecipada de dia e horário acertados previamente entre as partes

* O preço do leite, a ser praticado em cada mês, será definido até o 25º dia do mês anterior ao início da coleta do produto, observando os parâmetros de mercado, custos de produção, valores de venda de produtos lácteos no varejo e dos programas de pagamento por qualidade e quantidade

* O contrato terá vigência de 12 meses

Fonte: O Popular/GO (por Mariza Santana), adaptado por Equipe MilkPoint
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