O Governo da Argentina informou na semana passada que tinha a intenção de aumentar em 5% o imposto cobrado pelas exportações de lácteos - direitos de exportação -, com o objetivo de frear o aumento do preço destes produtos no mercado interno. Como o mercado internacional de lácteos está bastante atrativo devido aos altos preços e o mercado interno argentino está passando por dificuldades, a exportação de lácteos está sendo um grande negócio à indústria do país. Desta forma, o governo argentino pretende com este aumento da tarifa reduzir as exportações e, com isso, aumentar a oferta de produtos ao mercado interno, reduzindo conseqüentemente os preços. No entanto, os produtores e diretores da indústria leiteira da Argentina rechaçaram esta possibilidade de aumento desta retenção, alegando que este seria prejudicial ao setor leiteiro do país.
Por outro lado, o ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, disse que o Governo está trabalhando "em uma prorrogação do acordo (realizado em dezembro último) para que não se produza o aumento (de preços). O Estado tem sempre algum instrumento em mãos para negociar".
No entanto, até quarta-feira, o Centro de Indústrias Leiteiras (CIL), que agrupa as principais empresas lácteas da Argentina, não tinha recebido nenhum comunicado do Ministério da Economia ou da Secretaria da Agricultura com o objetivo de voltar atrás no aumento de 6% a 8% no litro do leite, que se considera inevitável.
A Mesa Interprovincial de Leiteria, integrada por produtores e indústrias, informou em um comunicado que um eventual aumento das retenções "não obterá o efeito desejado pelo Governo e deteriorará as incipientes expectativas favoráveis que se têm gerado no setor, que está saindo de uma das crises mais agudas da história".
Lavagna, em declarações feitas à Rádio Mitre, disse que o problema principal é que "o preço internacional do leite em pó subiu de US$ 1100 a tonelada para US$ 1800 e US$ 1900 e, em conseqüência, as indústrias preferem exportar ao invés de abastecer o mercado interno".
As indústrias consideram que não estão em condições de absorver os aumentos de preços que pagaram aos produtores em novembro, dezembro e janeiro passados. "Previmos um aumento da produção de leite de 3% a 4% em 2003. Se as retenções aumentarem, isto cessará", disse o gerente da CIL, Jorge Secco. Em 2002, a produção de leite nas propriedades leiteiras argentinas caiu 15% como conseqüência dos baixos preços recebidos pelo produtor. Muitos deles venderam seus animais e decidiram se dedicar à agricultura ou outras atividades pecuárias que lhes ofereciam mais rentabilidade.
As exportações de lácteos, que representaram apenas 15% da produção de leite, chegaram a US$ 300 milhões em 2002, correspondentes, em sua maioria, às vendas de leite em pó. O restante da produção foi vendido ao mercado interno. As indústrias e os produtores temem que uma eventual subida nas retenções reduza a atratividade ao negócio exportador e, como conseqüência, baixe a produção de matéria-prima. O risco maior, segundo eles, está na possibilidade do país ter que importar leite.
Fonte: La Nación e El Clarín, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores e indústrias da Argentina se opõem à proposta do governo de aumentar em 5% a tarifa de exportação de produtos lácteos
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