As 30 cooperativas de produtores de leite do Rio de Janeiro, filiadas à Central de Cooperativas de Produtores de Leite (CCPL) - com sede em São Gonçalo (RJ) - , dobraram a captação do produto no Estado, a qual atingiu o volume de 290 mil litros diários. Esse aumento da produção foi viabilizado pela reestruturação da CCPL, que conseguiu R$ 6 milhões para pagamento de dívidas e capital de giro - aporte feito pelo Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), por intermédio da Cooperativa de Crédito do Vale do Paraíba (Coopervale) -, o que deu garantias ao produtor de receber pelo leite vendido sem atrasos.
Segundo Fernando Prieto, presidente da Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Paraíba (Coopervale) - que participou da negociação com o Bancoob - se as cooperativas tivessem condições de alterar a forma de coleta do leite, a produção no Estado poderia aumentar. "Para que isso aconteça, estamos discutindo com Bancoob e cooperativas de crédito rural a viabilidade de uma linha de financiamento do BNDES para compra de tanques de resfriamento, que garantem a qualidade do produto por dois dias. Desta forma, os caminhões da CCPL poderiam reduzir custos de frete e o produtor poderia ganhar mais. Com o resfriamento do leite, a produção atual poderia crescer 40%." Nesse caso, o pagamento seria feito com um percentual da produção das cooperativas.
Até os anos 80, a CCPL abastecia todo o Rio e o Grande Rio com leite e derivados. Hoje, devido à entrada das multinacionais no Brasil, a cooperativa detém apenas 15% do mercado. Porém, segundo Geraldo Cardoso, superintendente da CCPL, a cooperativa está trabalhando para atingir a capacidade total da usina de processamento - 400 mil litros/dia - até janeiro. "Estamos trabalhando na reconstrução da CCPL, saneando as dívidas, revendo ações operacionais, investindo em profissionalização."
Até agora, 80% da produção de leite fluido é destinada à produção de leite longa vida e pasteurizado e 20%, à produção de derivados, vendidos em pequenos e médios supermercados fluminenses. "Com o aumento da captação, nosso faturamento subiu de R$ 3,5 milhões mensais para R$ 6,7 milhões", comemora Cardoso. A empresa está em busca de novos mercados, como o lançamento de novos produtos entre eles, café e água mineral.
Segundo Rodolfo Tavares, presidente da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), o custo do leite fluido no Rio é considerado um dos melhores da região Sudeste. "O preço mínimo no Sudeste é de R$ 0,32, enquanto o Rio paga, no mínimo, R$ 0,38, o litro." Além disso, O Estado conta com o "Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira", o qual permite a melhora do preço de compra do produto, bem como devolve ao produtor o ICMS devido na comercialização do leite, sem intermediários.
Com isso, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Estado ampliou em cerca de 20% a produção. A meta é ampliar mais 30% nos próximos 12 meses em decorrência da implantação do Programa Rio-Leite, por meio do Fundo de Equivalência do Programa Moeda Verde, em parceria com o Banco do Brasil, que acontecerá em agosto. Nesse programa, serão destinados R$ 10 milhões, beneficiando cerca de 2 mil produtores.
Para Tavares, a solução para que o Estado - que hoje produz 25% do que consome - possa atender à demanda de consumo de leite e derivados está na unidade das cooperativas, para que haja ganho de economia de escala, com diversificação da produção e itens que possam agregar valor à matéria-prima.
fonte: Gazeta Mercantil do Rio de Janeiro (por Erica Ribeiro e Marina Perin), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores dobram fornecimento de leite para o Rio de Janeiro
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.