Mais de mil produtores e fornecedores de leite da região de Frutal e de outros municípios em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de prestadores de serviço, acusam a Cooperativa de Laticínio da Região de Rio Preto, conhecida como Colar, de não pagar pelo produto fornecido durante 52 dias entre o ano passado e este ano. Só em Minas Gerais, o calote chegaria a mais de R$ 1 milhão. A suspensão dos pagamentos teria começado no último dia 20, quando a empresa teria sustado centenas de cheques.
O proprietário de uma cooperativa de Minas, que não quis se identificar, acredita que dificilmente as pessoas envolvidas com o caso conseguirão receber. "Aqui há gente com cheques sem fundo de valores que vão de R$ 500 a R$ 30 mil", conta. Segundo esse proprietário, os produtores da região de Frutal estão se unindo para conseguir de volta o dinheiro. Ele diz que seu prejuízo é R$ 70 mil, referente ao transporte de leite. O empresário possui quatro caminhões especiais para esse tipo de transporte, mas atualmente estão parados. Outro empresário da região de Frutal, que também preferiu não se identificar por temer não receber o que tem direito, disse que está devendo R$ 30 mil a diversas pessoas. "Inclusive, vou ter de vender bens para poder saldar a minha dívida, e tudo por culpa deles", afirma. Ele diz ainda que diversos produtores da região de Rio Preto correm o mesmo risco.
O advogado Eder Fernandes da Silva, 27 anos, também dono de uma empresa de resfriamento de leite em Comendador Gomes, tem R$ 80 mil a receber da Colar. Silva prestava serviços para a Colar há dois anos. "Já entrei com uma ação de execução para obter parte do patrimônio da firma", confessa. Segundo o advogado, a empresa Colar teria alugado um prédio localizado no Distrito Industrial de Rio Preto, onde montou uma firma chamada West Paulista Leite e Derivados Ltda. Já a advogada da Colar Edinéia Maria Gonçalves, 45, afirmou que a Colar e a West não têm qualquer ligação. Um ex-funcionário da Colar, que pediu para não ser identificado, afirmou que 120 produtores de leite da região do Prata, em Minas Gerais, também tiveram prejuízo. Mais de 1 milhão de litros do produto teriam sido comprados pela Colar e não foram pagos. Segundo ele, seu prejuízo pessoal não ficou apenas nos R$ 30 mil que a firma lhe deve.
A Cooperativa dos Produtores de Leite de Costa Rica (Copperica), localizada em Mato Grosso do Sul, também está sem receber pelo leite vendido à Colar. Segundo o diretor-secretário da entidade, Claudionor Batista Martins, 50 anos, a empresa não pagou o produto fornecido na segunda quinzena de dezembro e na primeira quinzena de janeiro. Ao todo, a Copperica tem R$ 103 mil para receber pelo fornecimento de 188 mil litros de leite. A entidade, que fornecia 8 mil litros do produto por dia, não chegou sequer a receber os cheques referentes ao pagamento. A Copperica assumiu os prejuízos e conseguiu pagar todos os 220 produtores de leite que fazem parte da cooperativa. "Vamos levar de quatro a seis meses para nos levantarmos novamente", conta.
A advogada da Colar, Edinéia Maria Gonçalves, 45 anos, disse ontem em entrevista por telefone ao Diário, que realmente a empresa ainda não conseguiu pagar os produtores de Minas Gerais. Ela não soube informar a quantia devida, mas disse que há 612 produtores com crédito naquela região. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, segundo a advogada, 1.056 produtores e fornecedores já teriam sido pagos. Segundo Edinéia, a Colar está passando por uma auditoria e logo após o Carnaval deve-se ter alguma notícia sobre uma data para o pagamento dos produtores. "Além disso, tentamos novas linhas de crédito."
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Fonte: Diario da Região de São José do Rio Preto (por Luciano Guimarães), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores denunciam a Colar por calote
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
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