Produtores de leite de Goiás e de Minas Gerais estão acusando as indústrias de laticínios de formação de cartel para forçar a baixa do preço do litro de leite. Entre maio e agosto, a queda chegou a 46%. No início do mês passado, em Goiânia, os fazendeiros fizeram um ato de protesto.
A pressão dos fazendeiros levou a Assembléia Legislativa do Estado a criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que, na última quinta-feira, iniciou os seus trabalhos.
Goiás
O Estado de Goiás é o segundo maior produtor de leite do País. No ano passado, foram captados no Estado pouco mais de 2 bilhões de litros, sendo superado somente por Minas Gerais - 5,8 bilhões.
"Em maio, o produtor recebeu R$ 0,35/litro em média. Em julho, caiu para R$ 0,28. Já em agosto a indústria pagou R$ 0,24/litro em bacias importantes como as de Piracanjuba e Morrinhos, na região sul do Estado", diz Edson Novaes, assessor econômico da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg).
Segundo ele, algumas empresas se negam a receber o leite das fazendas, caso da Nestlé, que deixou de recolher 300 mil litros/dia. Segundo a Faeg, Goiás produz 6,5 milhões de litros de leite por dia, e tem 57 mil pecuaristas.
A situação no Estado complica-se ainda mais porque, enquanto os preços sofreram essa queda, a produção goiana deverá aumentar 15% neste ano, devido principalmente ao crescimento da produtividade do rebanho, segundo João Umbelino Bosco dos Santos, presidente da Faeg, que acredita que as empresas formaram um cartel para forçar a queda de preço.
Segundo Roberto Jank Júnior, presidente da Láctea Brasil, as indústrias de laticínios "jogam todos os seus custos nas costas do produtor. Em algumas regiões, elas pagam até 50% a menos em relação ao preço de maio deste ano pelo litro de leite". Jank diz que a crise do leite não está restrita a Goiás, tendo um caráter nacional.
As indústrias justificam a queda do preço pago ao produtor pelo volume de leite e pela queda do consumo. "A produção brasileira deve crescer 10% neste ano. Em Goiás, deverá subir 20%. Enquanto isso, o consumo caiu devido à diminuição do poder aquisitivo da população, o que faz sobrar leite nos supermercados", diz Domingos Vilefort, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Goiás, que reúne 40 empresas.
Vilefort reconhece que o preço para o produtor caiu. "Mas é uma questão de oferta e de procura. Se existe excesso de um produto, a tendência é que o seu preço caia." O dirigente condena a formação da CPI. "Não tem muita finalidade. Ela vai apurar o que? Cartel? Isso não existe." Segundo Vilefort, o Estado possui pelo menos 600 indústrias que recebem leite. Ele concorda, porém, que o fato de uma empresa dispensar o leite dos produtores atrapalha o setor.
Indústrias
A Nestlé - maior compradora em Goiás (1,2 milhão de litros/dia) - argumenta que a sua captação de leite no primeiro semestre deste ano foi 15% superior ao mesmo período em 2000, e diz que a redução de preços ao produtor resultou do aumento da oferta e da redução no consumo de derivados devido à desaceleração da economia.
A Parmalat usa a mesma explicação da Nestlé para justificar a queda no litro de leite pago para o pecuarista. A empresa informa que "toda a cadeia produtiva do leite atravessa uma situação difícil, decorrente do mercado, que apresenta uma oferta substancialmente elevada de produto, ao mesmo tempo em que a demanda ficou abaixo das expectativas." Segundo a Parmalat, esse cenário desenhou-se especialmente a partir do mês de maio, devido ao racionamento de energia.
Fonte: Agrofolha (por Sebastião Nascimento), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de leite goianos acusam indústrias de laticínios de formação de cartel
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HUMBERTO P. LANDIM JÚNIOR
GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 05/10/2004
A situação dos pecuaristas, principalmente os do segmento de cria está crítica. Estamos caminhando com passos firmes para sair da atividade.
vendi bezerros nelores (8-10 meses) de bom padrão por R$ 300,00, R$ 320,00 nos ultimos 5 anos.
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