Produtores de leite da Argentina pedem medidas urgentes do governo para salvar o setor leiteiro

Publicado por: MilkPoint

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O presidente da Federação dos Centros Leiteiros de Santa Fé (Fecet), Gustavo Colombero, informou que existe a necessidade de uma intervenção urgente do governo da Argentina para salvar o setor leiteiro dos efeitos da crise.

"É necessário e obrigatório que o Estado intervenha porque, se não houver um sinal imediato, as conseqüências serão ainda mais graves". Colombero disse que o governo federal argentino já deveria ter interferido, porque a crise do setor leiteiro já não é um problema da produção ou da indústria, mas sim, do Estado.

O dirigente da federação de produtores de uma das principais bacias leiteiras da América Latina assegurou que, se o governo da Argentina não tomar medidas imediatas, mais propriedades leiteiras fecharão suas portas até o início de 2003, devido à falta de rentabilidade do negócio. A isso se soma a possibilidade de que as indústrias comecem a importar leite devido à escassez de matéria-prima.

Segundo estimativas da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina, a produção leiteira do país fechará o ano com uma queda de 15% com relação aos níveis de 2001. Se não fosse a forte queda sofrida pelo consumo interno de lácteos devido à crise econômica que acometeu o país neste ano, já tinha faltado leite para esta primavera. Além disso, as indústrias apresentaram crescimento nas exportações de cerca de 45% e, favorecidos pela desvalorização do peso e pela melhora da situação sanitária do país, saíram em busca de novos mercados de forma a compensar os volumes perdidos no circuito interno. Em contrapartida, o nível de produção mantém uma curva descendente devido ao fechamento de propriedades leiteiras que não podem suportar os efeitos da crise. Segundo se calcula, até o final do ano ocorrerá uma queda de 10% no número de propriedades leiteiras do país, o que poderia significar uma redução de 1 bilhão de litros de leite na produção anual da Argentina.

Colombero assegurou que o fechamento de propriedades leiteiras é um fato que vem ocorrendo há meses e que continuará ocorrendo, caso não sejam tomadas medidas urgentes que permitam reverter a crise. Segundo ele, o governo argentino deve intervir de maneira imediata nos preços que as indústrias pagam aos produtores pelo litro de leite. "Se não houver um sinal imediato, fundamentalmente no tema preço, considero que antes de janeiro faltará leite, porque o fechamento de propriedades leiteiras é um fato", afirmou.

Colombero disse que, devido à falta de rentabilidade da propriedade leiteira na Argentina, atualmente muitos produtores decidem mudar de atividade, passando para a agricultura, onde a situação está melhor. Ele assegurou que prova deste êxodo é a "quantidade de remates de fazendas de leite que está ocorrendo na região".

Panorama incerto

No entanto, os membros da cadeia leiteira na Argentina continuam discutindo vários temas com o objetivo de chegar a um consenso. Porém, para Colombero, "o panorama do setor leiteiro argentino segue incerto porque, fora do contexto do debate nas reuniões, quase todos dizem que os preços serão bons, mas dentro, nada se tem feito para que se pague um preço razoável de 40, 42 ou 45 centavos por litro (11,46, 12 ou 12,89 centavos de dólar por litro). A esta altura, fica claro quem são os responsáveis por esta crise e não são exatamente os produtores. A indústria e o Estado têm uma alta responsabilidade nisto".

O debate pelo futuro do setor leiteiro na Argentina continuará no dia 3 de dezembro com uma nova reunião da mesa interprovincial, que se realizará na cidade de São Francisco. Para a oportunidade, os produtores esperam a presença do secretário da Agricultura do país, Haroldo Lebed e do ministro da Produção, Aníbal Fernández. As fontes consultadas asseguram que os funcionários confirmaram que estarão presentes na reunião.

Colombero disse que o setor espera que estes membros do governo levem a São Francisco "algum tipo de anúncio importante, algo que dê um sinal para que a gente não deixe a atividade. Esperamos algum sinal claro em matéria de preço para que não se comece a falar na possibilidade de importar leite". Colombero lembrou também que o ministro Fernández "advertiu que o Governo tomará medidas rapidamente sobre este assunto porque há risco de importação de leite".

Sobre este tema, na última reunião plenária da mesa interprovincial de leiteria, os produtores de leite argentinos resolveram solicitar o aumento da tarifa de importação de lácteos de 16 para 27%. O mesmo pedido surgiu na reunião do Conselho Federal de Agricultura. Os secretários de Agricultura das províncias de Córdoba e Santa Fé, Gumersindo Alonso e Oscar Alloatti, comprometeram-se a levar pedidos similares ao governo nacional. No entanto, até o momento, o governo de Eduardo Duhalde não tomou medidas a este respeito.

Uma eventual importação de leite poderia baixar os preços que as indústrias pagam aos produtores locais. Por outro lado, se as tarifas aumentarem, as usinas leiteiras se veriam obrigadas a comprar mais leite do mercado interno e, para conseguir suprir sua demanda de matéria-prima, precisariam melhorar os preços que pagam aos produtores. Fontes da produção informaram que, até o momento, funcionários do governo se mostraram partidários a impulsionar uma modificação tarifária para evitar as importações, mas advertiram que a decisão poderá demorar. A preocupação dos produtores de leite com este assunto é tanta que, em Córdoba, eles já começaram a analisar a possibilidade de tomar medidas de força no caso do governo não atender suas reivindicações. "Se for necessário vamos tomar ações para impedir a importação de leite", disse há alguns dias um porta-voz da mesa de produtores de Córdoba.

Dúvidas sobre o futuro

No entanto, persistem as dúvidas sobre o futuro do setor, já que, apesar de existir um diálogo aberto, persistem importantes diferenças entre as indústrias e os produtores de leite. Neste contexto, há entre os produtores uma forte incerteza sobre o que ocorrerá uma vez que se definam as pautas estruturais que são parte do debate. Neste sentido, há quem duvide que as medidas possam ser implementadas na prática, devido ao forte conflito de interesses que existe.

Colombero, que também teme que as decisões fiquem somente no papel, o que "seria uma perda de tempo", disse que, a única forma de se implementar na prática todas as pautas é através de uma lei de leiteria nacional.

Em 26/11/02 - 1 peso argentino = US$ 0,28653
3,49 pesos argentinos = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: Castellanos, publicado em Lechería Latina, adaptado por Equipe MilkPoint
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