Produtores de leite da Argentina não confiam em acordo com o Governo

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores de leite da província argentina de Santa Fé estão vendo com desconfiança o acordo firmado na semana passada, na cidade de São Francisco (Córdoba), durante uma reunião que contou com a participação dos produtores de Córdoba e Santa Fé, mas onde o número de representantes da indústria foi menor.

Neste encontro, os produtores das duas províncias assinaram um acordo com as autoridades governamentais das províncias, estabelecendo o preço do litro de leite produzido durante o mês de abril. O documento determina que serão pagos 24 centavos (US$ 0,075) o litro de leite, categoria "A", com uma oscilação de 8%, que permitiria baixar o preço a 22 centavos (US$ 0,069) ou elevá-lo a 26 (US$ 0,082), de acordo com a porcentagem de gordura contida no leite.

O presidente da Federação dos Centros Produtores de Leite (Fecet), Gustavo Colombero, disse que, com estes valores, "é muito difícil que o produtor mantenha sua produção. Para que o produtor possa, pelo menos, cobrir seus custos, o litro de leite deveria ser pago a, pelo menos 28 centavos (US$ 0,088) o litro".

Colombero considerou que a oscilação do preço - de 8% - é "muito elástica" e expressou seu "temor" diante da possibilidade de que todas as empresas combinem entre si de pagar o preço mínimo aceito, de 22 centavos, sem considerar o teor de gordura.

No entanto, o dirigente admitiu que, após as inúmeras reuniões e discussões ocorridas, pode ser observada uma lenta melhora nos acordos alcançados pelo setor leiteiro argentino. Além disso, considerou positivos os avanços feitos em outros pontos, que se referem à possibilidade de fixar um preço padrão para o produto, assim como a redução do prazo de pagamento e uma unificação dos parâmetros de qualidade. Foi estabelecido um prazo de, no máximo, 60 dias para finalizar os acordos em relação a estes itens, embora tenha sido decidido que o acordo sobre o preço do leite produzido em maio deverá ser feito dentro de 15 dias.

Os produtores, além de não estarem plenamente satisfeitos com esse acordo, estão agora aguardando que as indústrias finalmente façam valer o combinado. Caso contrário, Colombero ameaçou tornar público o nome das empresas que não firmaram o acordo.

A Fecet agrupa cerca de 800 produtores de leite da província de Santa Fé. Nos próximos dias, espera-se que duas entidades que concentram os produtores da Capital Federal se aliem a esta entidade e participem das negociações que estão sendo feitas nas províncias de Santa Fé e Córdoba.

Longe de estar diante de condições ideais ao produtor, Colombero justificou o acordo firmado. Ele advertiu que entrar em conflito com as indústrias seria "perigoso", e descartou medidas mais enérgicas. O dirigente disse também que, "se não houver um preço justo, os produtores não farão mais bloqueios, e sim tenderiam a abandonar as propriedades leiteiras para dedicar-se a outra atividade".

Fonte: El Diario - Entre Ríos, adaptado por Equipe MilkPoint
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