Produtores de leite da Argentina definem estratégia para negociar com a indústria

Publicado por: MilkPoint

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Os dirigentes do setor leiteiro de Santa Fé e Córdoba entraram em acordo em relação à estratégia que utilizarão para negociar com a indústria dois temas importantes: o preço do leite entregue em abril e os prazos de pagamentos.

Os produtores de leite das duas províncias argentinas estão esperando com alguma expectativa a reunião que deverá ocorrer hoje com os membros da indústria, na Sociedade Rural de São Francisco, para que, de uma vez por todas, seja feito um acordo sobre esses dois temas. Em um encontro preparatório, os membros da Mesa de Produtores de Leite de ambas as províncias definiram ontem o que classificaram como "a estratégia para a negociação com os representantes da indústria", segundo explicou o membro da Sociedade Rural de Rafaela, Juan Imvinkelried.

Durante a longa reunião ocorrida na sede ruralista de São Francisco, os dirigentes do setor produtivo de Córdoba e Santa Fé, que representam os produtores de leite que geram 66% do leite produzido no país, entraram em um consenso com relação aos detalhes da negociação a ser feita hoje. Os produtores insistem em pedir um preço de 30 centavos (US$ 0,096) por litro de leite entregue à indústria em abril, valor distante da oferta feita pelas indústrias, que propuseram, em média, um preço de 22 centavos (US$ 0,07) o litro. É exatamente esta diferença que está travando o diálogo entre os produtores e as indústrias do setor na Argentina.

Por isso, os membros do governo das duas províncias se comprometeram a interferir nesta negociação. Os secretários da Agricultura de Santa Fé, Oscar Alloatti, e de Córdoba, Gumersindo Alonso, assumirão o desafio de forçar um acordo para impedir que o protesto ocorrido no começo de março, quando foi bloqueada a saída dos produtos processados das indústrias de lácteos, repita-se.

Tanto a produção como a indústria estão com dificuldades para superar os problemas atuais, o que é explicado, em parte, pela falta de acordo em torno das questões pendentes:

- O estabelecimento de um sistema de fixação de preços, que esteja de acordo com os interesses de ambas as partes;

- A regulamentação da oferta de leite, para evitar crises de superprodução;

- A transparência na cadeia de valor dos produtos lácteos, com ênfase no estabelecimento de laboratórios arbitrais para a determinação de condições e qualidade da matéria-prima.

Os produtores de leite fundamentam suas reivindicações no desequilíbrio que existe hoje na participação no preço final do leite: a indústria e o setor comercial ficam com 69%, o Estado com 18% e a produção com 13%. No entanto, a urgência de resolver a crise do setor leiteiro é também justificada pelas suas conseqüências sociais: o desaparecimento de propriedades leiteiras aumenta o desemprego no setor, empurrando as famílias que deixam a atividade para a periferia pobre das cidades mais importantes das províncias.

Fonte: La Opinion - Rafaela - Argentina, adaptado por Equipe MilkPoint
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