Produtores de leite argentinos prolongam protesto até amanhã

Publicado por: MilkPoint

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Foto 1: Nos estabelecimentos de varejo, as pessoas se abasteceram de produtos lácteos por medo da escassez e do aumento de preços (Foto: Maxie Amena)


Foto 2: Uma produtora joga o leite em Trenque Lauquen (Foto: Ricardo Pristupluk)


Foto 3: As doações de leite foram bem recebidas (Foto: Ricardo Pristupluk)


Foto 4: As pessoas rodearam os caminhões com baldes nas mãos (Foto: Arquivo La Nación)

Tende a agravar-se ainda mais o conflito leiteiro na Argentina e aumenta a possibilidade de que, a partir de hoje, comece a ocorrer um desabastecimento de lácteos nas províncias de Santa Fé, Córdoba, La Pampa e Entre Ríos. Na cidade de Buenos Aires, a escassez deste produto - que é um alimento de primeira necessidade - começaria a ser percebida a partir de amanhã, uma vez que os estabelecimentos de varejo praticamente deixaram de receber mercadoria há quatro dias.

O protesto, que ontem as entidades do setor decidiram prolongar, teve início na segunda-feira desta semana e, supostamente, deveria ter terminado ontem. Porém, diante de uma falta de acordo com a indústria láctea pelo preço do leite, as negociações não deram resultados e os produtores decidiram continuar bloqueando a saída de 50 usinas de leite de todo o país.

Enquanto em Buenos Aires, La Pampa e Córdoba os produtores decidiram prolongar o protesto até amanhã, em Santa Fé, onde localiza-se a bacia leiteira mais importante da América Latina, este continuará por tempo indeterminado.

As entidades leiteiras argentinas pedem 21 centavos (US$ 0,10) por litro de leite entregue em fevereiro e 24 centavos (US$ 0,11) a partir de março. Segundo informado pelos produtores, hoje eles recebem entre 9 (US$ 0,04) e 14 (US$ 0,06) centavos por litro, um valor considerado por eles "irracional" e insuficiente para subsistir.

No entanto, as empresas lácteas expressaram que era "impossível" pagar o preço reivindicado pelos produtores e ontem advertiram que a medida de força provocará "desabastecimento no comércio, assim como também a impossibilidade de retirar o leite das propriedades". Foi o que informou um comunicado do Centro da Indústria Leiteira (CIL), que reúne as maiores empresas lácteas da Argentina.

Desequilíbrio

A produção média diária de leite na Argentina é de 20 milhões de litros, que chegam às gôndolas dos supermercados com um preço entre 70 centavos (US$ 0,34) e 1 peso (US$ 0,49). Nas últimas semanas, os produtos lácteos registraram um aumento no varejo de até 30% e, segundo as entidades do setor, este aumento é injustificado. "Isso se agrava pela indiferença da indústria, dos supermercados e do Governo", disse ontem em uma conferência de imprensa na qual foi anunciada a continuidade do protesto o presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Manuel Cabanellas.

O dirigente disse que os produtores sentem-se "enganados" diante da falta de diálogo com a indústria e os supermercados, e atribuiu a estes a responsabilidade pela ameaça de desabastecimento, já que, segundo ele, isto poderia ter sido solucionado em 20 minutos. O conflito parece entrar, aos poucos, em um terreno delicado. Ontem, algumas pessoas que aparentemente não estavam relacionadas com os produtores agropecuários lançaram uma bomba molotov em um caminhão em Córdoba e quase pegou fogo no local. "Não queremos isso, nem tampouco que comece a acontecer roubos e, por isso, pedimos que os donos das empresas lácteas reflitam para que haja diálogo, porque sabemos que temos que ser sócios e armar uma aliança para definir o mercado", disse Cabanellas.

Em Canals, Córdoba, os produtores decidiram deixar de entregar o leite às empresas, uma medida que, segundo Cabanellas, poderia ser seguida por produtores de outras regiões diante de uma falta de resposta. Segundo fontes que não quiseram se identificar, estavam desenvolvendo-se contatos entre os ministros e secretários da Agricultura das 4 principais províncias produtoras de leite da Argentina. Os funcionários do governo teriam conversado por telefone e poderiam estar reunindo-se nas próximas horas para fazerem uma proposta que seria basicamente a de fixação de um preço mínimo para março de 21 centavos, valor que se aproxima da reivindicação dos produtores.

Ontem em Córdoba um grupo de produtores, encabeçados pelo dirigente da Confederação das Associações Rurais da Terceira Zona (Cartez), Néstor Roulet, distribuiu leite entre as populações de bairros periféricos. Em Santa Fé, cerca de 2 mil produtores agrupados na Mesa Provincial de Leiteria decidiram prolongar o cerco que mantêm sobre 15 usinas lácteas e centros de distribuição até que seja oferecido o preço que reivindicam.

Nos centros urbanos, as pessoas buscaram abastecer-se de leite diante da possível escassez e do medo do aumento dos preços. No interior, os setores de baixos recursos foram beneficiados pelas doações de leite.

Fonte: La Nación (por Franco Varise), adaptado por Equipe MilkPoint
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