Com milhares de litros de leite entregues à população em Córdoba, Buenos Aires, La Pampa e Santa Fé, o protesto dos produtores de leite da Argentina entra hoje no quinto dia, e poderá estender-se por tempo indeterminado. Os sinais de desabastecimento de lácteos começam a aparecer em Córdoba e Santa Fé, enquanto o comércio na capital do país está apresentando restrições de vendas.
"Vamos aumentar a pressão", disse o vice-presidente da Confederação das Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), Jorge Asurmendi. As províncias de Santa Fé, Buenos Aires e Córdoba começaram a fazer negociações com as indústrias para alcançar um início de acordo. "Lamentamos a ausência da Secretaria da Agricultura do país; seus responsáveis estão em viagem na Espanha".
Houve uma reunião em Santa Fé que terminou na madrugada de quarta-feira. "As partes assumiram o compromisso de trabalhar juntas", reconheceu o secretário da Agricultura de Santa Fé, Oscar Alloatti. A questão pode gerar um contexto "histórico" de entendimento entre a produção e a indústria, para enfrentar o setor de comercialização - supermercados. Atualmente as propostas dos produtores e indústrias estão expostas e são conhecidas. Os produtores reclamam um preço mínimo de 21 centavos de peso (US$ 0,10) o litro e pagamentos a 30 dias, contra os 15/18 centavos (US$ 0,072/0,086) que o Centro de Indústria Leiteira (CIL) ofereceu para este mês, de acordo com a qualidade do leite entregue, sendo que as negociações serão progressivas até que o preço chegue a 22 centavos o litro, em julho.
Neste contexto, ontem foi mais um dia de bloqueio de cerca de 50 usinas de leite das principais províncias da Argentina. Os produtores de leite de Trenque Leuquen enviaram um caminhão com 28 mil litros de leite para repartir com a Grande Buenos Aires.
Sem leite
As indústrias advertiram que, caso o protesto se prolongue, deixarão de receber leite dos produtores. O CIL considerou "incorreta" a comparação do preço que a indústria paga ao produtor com o valor final com que os produtos chegam às gôndolas dos supermercados, devido ao fato de que apenas 18% do leite entregue na fábrica chega ao mercado como leite pasteurizado, enquanto que 82% é vendido como manteiga, leite em pó, iogurtes, queijos, o que requer um valor agregado de tecnologia.
O presidente da República argentino, Eduardo Duhalde, considerou que a reivindicação dos produtores de leite para que as indústrias aumentem o preço que pagam pelo produto é justa e "tem razão", e disse que "em pouco tempo, contado em dias, este assunto tem que ser solucionado". O presidente ainda deixou claro que esta questão não envolve o Estado.
Fonte: La Nación, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de leite argentinos decidem hoje se manterão o protesto
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.