Produtores de leite argentinos ameaçam reduzir a produção de leite
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Na sexta-feira, os produtores desta bacia leiteira se reuniram na cidade cordobesa de São Francisco para definir a estratégia que será seguida. Além de propor uma redução da entrega de leite, os produtores argentinos rechaçarão a constituição de uma Mesa Nacional de Leiteira, o primeiro anúncio para o setor que o secretário da Agricultura da Argentina, Haroldo Lebed, fez.
"Por que? Porque se o leite está aqui, as indústrias estão aqui e os produtores estão aqui (na bacia leiteira), é lógico que as negociações têm que ser feitas aqui. Há cinco anos estamos trabalhando para obter avanços, que estão sendo conquistados com muito sacrifício; não vamos permitir que este esforço seja dilapidado", disse o titular da Federação de Centros Leiteiros de Santa Fé (Fecet), Gustavo Colombero.
Os presidentes das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Manuel Cabanellas; da Sociedade Rural, Luciano Miguens; e da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi, participaram de uma ronda de análises em ocasião do centenário da Sociedade Rural de Santa Fé, quando foram outorgados status e vigência à regionalização das mesas leiteiras.
Cabanellas, que é produtor de leite, advertiu sobre a "falta de uma política estável para o setor e a indiferença das indústrias" ao comentar que sua família teve que se desfazer de uma propriedade leiteira de 27 anos de genética, vendida como carne para consumo.
Um dos argumentos de peso que paradoxalmente o setor está expondo é o da brusca queda da produção. A Argentina registrou uma queda nacional na produção interanual consecutiva de 19%. "Nós não podemos competir com a soja ou com o trigo, devido aos preços dolarizados", disse o produtor.
Colombero disse que na região de Tandil (bacia do Mar e Serras), a queda da produção de leite chegou a 40% nos últimos meses, sendo esta a região que teve maior impacto statisticamente. "Se a situação não se modificar, o mesmo ocorrerá aqui (no interior de Santa Fé)", disse.
Propriedades quebradas
Em Santa Fé, nos últimos 15 anos, de 16 mil produtores de leite que existiam, hoje se mantêm somente 4 mil. "Se for considerado o fato de que em cada propriedade se trabalha no mínimo 4 pessoas, pode-se inferir que a queda da atividade gerou cerca de 50 mil desempregados", disse Colombero.
Fonte: La Nación (por José E. Bordón), adaptado por Equipe MilkPoint
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EM 17/10/2002
Porém falta-nos um líder cuja renda realmente dependa do leite.