Produtores de Goiás reclamam dos cortes de compras das empresas

Publicado por: MilkPoint

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Cerca de 250 produtores de leite de Goiás participaram ontem da audiência pública solicitada pelo vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO).

A maioria dos produtores de Goiás reclamou dos cortes repentinos de compras de leite realizados por algumas empresas. Um exemplo disso foi o do produtor Sérgio Carneiro Almeida que, há 18 meses, juntamente com 26 produtores de Jataí, passaram a fornecer o leite especificamente para a Nestlé. Por sugestão da empresa, Sérgio financiou com a mesma a instalação de dois tanques de resfriamento. Poucos meses depois, o grupo foi surpreendido com a suspensão imediata da compra de leite pela empresa, sem qualquer justificativa. A mesma reclamação foi feita por produtores de Rio Verde.

O presidente da Nestlé, Ivan Fábio Zurita, que estava na reunião, disse apenas que a empresa implantou recentemente o programa de qualidade do leite que ainda não existia no Brasil e, em alguns casos, foi constatada a presença de antibiótico no leite. Contudo, não fez referência se este foi o caso com os produtores de Goiás, que tiveram seus fornecimentos suspensos. Zurita garantiu que vai realizar uma averiguação em todas as denúncias feitas.

Importações

Paulo Bernardes, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), denunciou que as prefeituras de Goiânia e São Paulo estão importando leite justamente neste período, em que os produtores dos 2 estados atravessam uma das piores crises, devido ao excedente de produto.

O deputado Ronaldo Caiado condenou a atitude da Prefeitura de Goiânia e distribuiu uma cópia da Comissão Geral de Licitação, da concorrência número 003/2001 em que foram classificadas por menor preço as empresas Rio Dourado Cereais e Regional Centro-Oeste Atacadista de Alimentos para o fornecimento de leite em pó integral e óleo de soja. Segundo o deputado, são empresas que fazem a importação dos produtos solicitados.

A Prefeitura de Goiânia esclareceu, ontem, que não fez opção por leite em pó importado e que desconhece a origem do produto adquirido recentemente. De acordo com a assessora de imprensa da Prefeitura, Thaís Baiochi, a aquisição - no valor de R$ 1,3 milhão - foi feita através da concorrência pública de número 003/2001, para a qual se habilitaram dez empresas. Venceu a licitação uma empresa de Anápolis (MG), que por sua vez tem como fornecedora a empresa Tangará, de Minas Gerais.

De acordo com Liorcino Mendes, também da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o leite em questão se destinava à Secretaria Municipal de Saúde e suas especificações atendiam exclusivamente às exigências do Ministério da Saúde, entre as quais nada consta em relação à procedência do leite. Baiochi também pondera que a legislação que rege as licitações não permite vetos em função da origem do produto, mas pelo contrário, permite até a participação de empresas estrangeiras em transações com valores superiores a R$ 650 mil.

Fonte: O Popular/GO (por Edimilson Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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