Produtores de Goiás ameaçam reduzir oferta de leite

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Os produtores de leite podem reduzir a oferta do produto no mercado goiano como estratégia para forçar uma recuperação mais rápida dos preços. A informação foi confirmada ontem pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta, para quem esse pode ser o caminho mais curto para se restabelecer o equilíbrio do mercado, já que os laticínios sempre alegam que os baixos preços pagos ao produtor se devem ao excesso de oferta do leite in natura.

"Estamos fazendo um levantamento dos produtores de leite que entregam de 500 litros acima, diariamente, para depois propormos uma redução conjunta de pelo menos 10% no volume de produção", diz Caixeta. Segundo ele, para essa faixa de produção o corte de 10% no volume de leite não afeta significativamente e preserva os pequenos produtores, para os quais qualquer redução pode implicar em grande sacrifício. O presidente da Faeg estima que pelo menos 16 mil produtores goianos estão na faixa acima de 500 litros de leite/dia.

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Para o presidente, esse universo de 16 mil produtores ou mais pode tornar-se fundamental no equilíbrio do mercado de leite in natura, aumentando ou reduzindo a oferta do produto de acordo em função da estabilidade dos preços. "Se conseguirmos um bom nível de organização e coordenação desse segmento, com certeza em pouco tempo o setor estará melhor controlado e o produtor menos sujeito a prejuízos na atividade", diz Caixeta, que também promete fortalecer o diálogo na cadeia produtiva do leite.

Segundo ele, desde que assumiu a presidência da Faeg, no final do ano passado, as negociações com a indústria de laticínios vêm se desenvolvendo satisfatoriamente, registrando até alguns resultados práticos. "Conseguimos, por exemplo, que a indústria pagasse o leite extra-cota ao mesmo preço do leite-cota, o que elimina um dos mais graves fatores de instabilidade do mercado", ressalta, acrescentando que o preço médio do litro de leite também subiu cerca de três centavos no Estado, passando de R$ 0,27 para R$ 0,30.

"Isso ainda é muito pouco, porque o nosso custo médio de produção é de R$ 0,35. Mas foi um fato positivo, principalmente se for levado em conta que estamos em plena safra", diz Caixeta. Uma nova reunião de representantes da cadeia produtiva deve acontecer no próximo dia 19, quando os produtores esperam fechar com os laticínios um acordo para estabelecimento de um preço mínimo para o litro de leite in natura.

Fonte: O Popular/ GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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