Os pecuaristas alagoanos, devido ao baixo preço do litro de leite, prometem realizar manifestações pacíficas – distribuição gratuita de leite - em frente a Assembléia Legislativa, após o recesso parlamentar, para pressionar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), como vem acontecendo em outros estados brasileiros.
A criação da CPI é reivindicada pelos produtores para que seja possível analisar a formação de cartel por parte das indústrias de laticínio. Os produtores reclamam do valor pago pelos laticínios pelo litro de leite. Hoje, o preço pago aos pecuaristas é de 0,30/ litro, com uma defasagem em relação ao custo de produção. O presidente do Sindicato do Leite (Sindileite), Ricardo Barbosa, diz que as empresas locais vêm pagando o preço médio mais baixo dos últimos anos. O atual valor do litro de leite, diz Barbosa, está inferior ao preço praticado pela Parmalat, que historicamente pagava abaixo da indústria local. Hoje, segundo ele, a multinacional italiana, instalada em Pernambuco, vem pagando R$ 0,32 pelo litro de leite. Apesar de ser um preço pouco melhor do que o praticado no Estado, Barbosa reforça a necessidade de haver um reajuste para que o setor não venha atravessar momentos difíceis e corra o risco de desaparecer. “A verdade é que a cada ano o setor se fragiliza mais. Um dos motivos é o baixo preço que não cobre os custos fixos, os quais estão na casa de R$ 0,34 a R$ 0,35”, declara. Para reverter esse quadro desolador, o presidente do Sindleite menciona que têm sido feitas reuniões entre os representantes da indústria e os produtores, para que se chegue a um consenso sobre o preço do produto. Os produtores solicitam um preço de R$ 0,40 para o litro de leite. “É uma margem que garante a lucratividade das indústrias e a sobrevivência do produtor rural”, diz. Segundo Barbosa, as indústrias alegam não poder pagar mais ao produtor. No entanto, segundo ele, o preço dos derivados do leite aumenta assustadoramente nas prateleiras dos supermercados.
Como os laticínios se recusam a atender a reivindicação da classe produtora, ele diz que a solução é mobilizar os produtores e cobrar a instalação da CPI estadual, como ocorre em outros estados brasileiros.
Enquanto se define o caminho mais adequado para ação, o presidente do Sindleite diz que os produtores trabalham com a alternativa concreta do Programa do Leite, que está prestes a entrar em operação no início do próximo ano. O Programa do Leite é um projeto social, iniciado no Rio Grande do Norte, que tem dois aspectos fundamentais: atende às famílias carentes, com a distribuição de um litro de leite por dia, e aos produtores rurais que recebem R$ 0,40 por litro de leite vendido ao Governo local. O dinheiro será repassado via Cooperativa dos Produtores de Leite, a qual está em fase final de consolidação.
Fonte: Tribuna de Alagoas (por Valdi Junior), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de Alagoas prometem doar leite para pressionar CPI
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