Segue abaixo a Declaração Pública distribuída pela FEDELECHE - Federación Nacional de Productores de Leche do Chile, no dia 05 de fevereiro de 2002, redigida pelo presidente da entidade, Jorge Alamos Rodríguez:
"Em relação às últimas reduções no preço de compra do leite fresco decretadas pelas principais indústrias processadoras de lácteos do país a partir de fevereiro, a Federação Nacional de Produtores de Leite, Fedeleche F. G., deseja expressar o seguinte:
1 - Nos meses recentes temos trabalhado nos sentido de dar transparência à comercialização de leite fresco, conscientes de que uma concentração cada vez maior na compra de um produto altamente perecível diminui o poder de negociação frente à indústria que nos obriga a entregá-lo, apesar de não estarmos de acordo com o preço.
2 - O principal argumento da indústria para estas novas baixas tem sido a queda ocorrida no mercado internacional das principais commodities lácteas (fundamentalmente leite em pó). Se produtos similares externos têm passado por diminuições em suas cotações, vale a pena lembrar que numa situação de elevado estoque, como tem denunciado o próprio setor industrial, a alternativa de importação não interessa ao setor e não representa uma opção comercial atrativa, a menos que em condições transparentes de mercado. Além disso, não devemos esquecer que parte importante da produção nacional de leite é destinada a produtos frescos de consumo interno e essa matéria prima em todos países desenvolvidos do mundo têm um valor muito superior ao do leite utilizado para se produzir commodities, como o leite em pó.
3. Infelizmente, esse leite que deveria ter um valor muito superior, tem sido comparado permanentemente com commodities como o leite em pó, que nos mercados internacionais se negocia a valores fortemente subsidiados (que somente os custos relativos à exportação hoje se aproximam de US$ 550/tonelada, o equivalente a 30% do valor atual da tonelada de leite em pó), mas que como matéria prima não serve para satisfazer a demanda de produtos frescos que requer a indústria local.
4. Neste contexto, talvez seja conveniente lembrar que o próprio Presidente da República firmou os acordos da Mesa Agrícola a respeito das distorções do mercado lácteo que assinalavam claramente que "o Governo buscará em conjunto com os agentes envolvidos, na medida em que se apresentem condições adversas no mercado internacional que prejudiquem ou ameacem prejudicar os produtos nacionais, mecanismos que facilitem a sustentabilidade do setor leiteiro a médio e longo prazo". Atualmente nosso setor está absolutamente suscetível a todo tipo de distorção e em risco de sofrer danos irreparáveis por efeito da crise argentina, mas, em contrapartida, vemos uma passividade alarmante a nível de nossas autoridades.
5. A eficiência e competitividade do produtor chileno não está em dúvida. Temos resistido a uma baixa no preço de nosso produto por volta de 25% na última década; sem dúvida, hoje novamente a indústria pressiona a baixa dos preços e nos deixa com US$ 0,14/litro, que é o valor mais baixo de nossa história, frente ao pagamento que recebem produtores americanos (US$ 0,35/litro) e europeus (US$ 0,38), que são a fonte das distorções lácteas mundiais. Cabe assinalar que em abril de 2000, quando os preços internacionais eram similares aos atuais, o preço médio interno girava em torno de US$ 0,20/litro.
6. Estes US$ 0,14/litro anunciados a partir de fevereiro têm sido qualificados como inaceitáveis pelos produtores de leite, o que implica em valores muito abaixo dos seus custos de produção e gera novo processo de descapitalização, com o inevitável fechamento de fazendas leiteiras de bom nível competitivo, já que não são capazes de enfrentar por si só as fortes distorções existentes no mercado externo e interno.
7. Nós, produtores de leite, contamos com sistemas produtivos de alto nível tecnológico, genético, produtivo e de gestão, frutos de vários anos de permanente mudança, e QUE NÃO estamos dispostos a liquidar, por falta de transparência de mercado e por políticas de Estado mal-assumidas no controle de tantas distorções prejudiciais.
8. Fizemos um chamado à indústria para ponderar sobre este tema e agilizar o trabalho, a fim de se chegar a um consenso a respeito de um mecanismo adequado e transparente para o pagamento do leite fresco.
9. Mesmo assim, esta conjuntura desfavorável deve pressionar o Governo a estimular, com rapidez, um mecanismo ágil, eficaz e permanente para neutralizar as distorções externas, assim como se comprometeu o próprio Presidente da República Don Ricardo Lagos.
10. Enfim, queremos denunciar publicamente os fundamentalistas do modelo neoliberal que sob o pretexto de oferecer espetaculares benefícios aos consumidores chilenos, pretendem hipotecar o futuro de um setor produtivo comprovadamente eficiente. A história recente de nosso país já deu a oportunidade a estes teóricos e a todos saberem o que significa viver na própria carne o "pão para hoje, fome para amanhã". Para ninguém é um mistério que as economias mais abertas do mundo dispõem de uma grande estrutura para prevenir as distorções internas e externas, conscientes de que o mercado por si só não pode controlar tudo. Por isso, nos parece demasiado pretensioso crer que no Chile a teoria econômica poderia funcionar de forma diferente."
Jorge Alamos Rodríguez, Presidente - Federación Nacional de Productores de Leche - FEDELECHE
Fonte: Fedeleche, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores chilenos protestam contra baixos preços
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.