Será realizado hoje à tarde um protesto contra a queda nos preços pagos aos produtores catarinenses, gaúchos e paranaenses nos últimos meses, que reunirá mais de 4 mil produtores de leite de Santa Catarina. A manifestação, denominada de "O grito de socorro dos produtores de leite", que foi organizada por 10 entidades do setor primário - entre cooperativas, federações e sindicatos - está prevista para iniciar às 13h30, em Concórdia (SC). Ela deverá ser feita em frente à unidade industrial da Batávia e consistirá em pronunciamentos, entrega de documentos que comprovam as perdas dos produtores aos presentes e também derrame de um caminhão de leite in natura no asfalto. A empresa, que é considerada a maior processadora do Oeste catarinense e que atua nos três estados do Sul, é acusada de ter motivado uma abrupta queda no preço do leite.
Segundo dados da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), o preço pago pela Batávia no mercado sulista fez com que os preços pagos pelas cooperativas ao produto caíssem muito - de R$ 0,29 para R$ 0,23 o litro no último mês, sendo que há um ano, o preço do litro do leite era de R$ 0,34.
Segundo a diretoria da Batávia, toda a cadeia produtiva atravessa um momento difícil nesta crise de leite que se estabeleceu no País. De um lado, ocorreu excesso de produção, em plena entressafra, decorrente do clima e da melhoria do rebanho, o que obrigou a indústria a absorver todo o volume excedente, com dificuldade de colocação no mercado. Em contrapartida, houve queda de consumo devido à crise energética, aumento na taxa de desemprego, desvalorização do dólar e redução do poder aquisitivo. A empresa afirma que é uma situação que penaliza toda a cadeia do leite e, desta forma, no momento o preço pago ao produtor reflete a redução dos preços praticados pela indústria ao varejo. Entretanto, segundo a Batávia, não na mesma proporção, porque a indústria vem absorvendo parte desta redução, evitando perdas ainda maiores para o produtor.
Segundo Enori Barbieri, diretor executivo da Faesc, a crise começou nos meses de julho e agosto, quando a queda nos preços recebidos pelos produtores chegou a 30%. "Para discutir esta violenta queda dos preços pagos pelo leite em plena entressafra do produto, a Faesc reivindicou, no mês passado, uma reunião do governo com a cadeia produtiva de lácteos, o que acabou não ocorrendo." Segundo ele, a reunião poderá ser realizada até o final de setembro. Para amenizar a situação, a Faesc também solicitará ao governo federal a renovação imediata de uma linha de crédito, com juros de 8,75% ao ano, para estocagem do excedente da produção leiteira e, também, a inclusão de derivados lácteos nos programas sociais, com preferência aos produtos elaborados com matéria-prima local, bem como alternativas à curto prazo para incentivar as exportações brasileiras de lácteos.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Leite do Estado (Sindileite), Santa Catarina é o sexto maior produtor do País, com 60 mil propriedades rurais abastecendo de leite as indústrias de processamento. O Oeste catarinense responde por 60% da produção, com 36 milhões de litros por mês. Um terço desta produção é processada pela Batávia.
Fonte: Gazeta Mercantil (por João Henrique Baggio), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores catarinenses realizam hoje protesto contra a queda nos preços do leite
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