Os principais produtores de leite do País iniciaram uma ofensiva no campo político com o objetivo de saber quem está lucrando com o prejuízo dos mesmos. Os produtores estão recebendo pelo produto nesta entressafra cerca de um quinto do que o consumidor está pagando no varejo. O comércio varejista é apontado como o principal responsável, mas a indústria também está sendo questionada.
Minas Gerais, o maior produtor de leite do País, instalou na Assembléia Legislativa uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as distorções.
Em Goiás, o segundo Estado produtor, medidas no campo político também estão em andamento. Além da possibilidade de uma CPI ser instalada, o governador do Estado, Marconi Perillo, ameaçou a indústria com o corte de todos os incentivos.
Além disso, os produtores estão agindo no âmbito da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), cujo coordenador do setor leiteiro, Paulo Bernandes, espera que as investidas estaduais sensibilizem a Câmara dos Deputados para apurar as eventuais irregularidades. A Comissão de Agricultura pode propor uma CPI. Porém, segundo Bernardes, o setor que está sendo beneficiado neste processo é mesmo o dos supermercados. "A margem de lucro" nos supermercados chega a 45% com o leite longa vida. Isso é um absurdo."
Há duas semanas, o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes reuniu no seu gabinete produtores, cooperativas e indústrias. Nos principais estados produtores, o custo do leite para a indústria tem variado de R$ 0,20 a R$ 0,30, contra R$ 0,40 e R$ 0,45 em abril e maio, final da safra. Enquanto isso, os supermercados continuam vendendo o leite longa vida com preço entre R$ 1,15 e R$ 1,50, sem considerar eventuais promoções.
Há também a suspeita, por parte dos produtores, de que as indústrias do setor estejam fazendo cartel, motivo pelo qual será realizada a CPI em MG - para que se apure se são as 11 grandes indústrias de laticínios ou os seis maiores compradores.
Bernardes disse que as indústrias alegam estar com alto estoque e não têm como melhorar os preços. A saída pode ser a exportação. Porém, os produtores insistem que outra maneira de aumentar o consumo seria a queda no preço para o consumidor, além de uma política governamental que atenda a população que está abaixo da linha da pobreza.
Fonte: Agrofolha, Folha de S. Paulo (por Paulo Peixoto), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtor se mobiliza contra preço baixo
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