Produtor liquida rebanho leiteiro em Minas Gerais

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

O baixo preço pago ao produtor de leite está levando à liquidação de rebanhos, maquinário e usinas em Minas Gerais. Somente neste primeiro semestre, entre oito e dez fazendas realizarão leilões no Estado, segundo previsão da Embral Leilões Rurais. O primeiro deles acontece no próximo dia 23, sábado, em São Gonçalo do Sapucaí, Sul de Minas.

A Nacional Agrofarm, que há nove anos produz leite tipo A, estará vendendo 220 fêmeas holandesas PO e TE, filhas dos mais renomados touros e com média diária de produção de 34,14 kg/ leite por fêmea de primeira cria, a maior média do Estado, segundo a Embral.

"O mercado para leite A é pequeno. Em São Paulo o litro custa entre R$ 1,60 e R$ 1,80, enquanto o leite de caixinha sai por R$ 0,80", justifica o proprietário da Agrofarm, Guilherme Bernardes. "Pode ser que eu mantenha o laticínio para derivados, mas comprando leite de outros produtores", informa Bernardes. Fora isso, os 450 hectares da fazenda serão usados para criação de gado de corte, ampliação e implantação de culturas de milho e aveia.

O assistente administrativo da fazenda, Alexandre Silva Azevedo, informou que até o início de 2001, eram produzidos 6 mil litros de leite por dia. Mas as dificuldades no setor fizeram com que o proprietário realizasse um primeiro leilão de animais em setembro passado, reduzindo a produção pela metade. O diretor da Embral, Sebastião Beraldo, garante que Bernardes está desviando lucro de outros negócios da família para cobrir prejuízos com o leite. "Ele precisaria vender o litro tipo A, de qualidade e pasteurizado, a R$ 0,65. Mesmo embalando, não está conseguindo R$ 0,50", afirma. "Temos controle de gordura e bactéria, além de rações balanceadas o ano todo", completa Bernardes.

O preço do leite, que chegou a gerar uma CPI na Assembléia Legislativa, em agosto de 2001, volta agora também à pauta dos parlamentares, com o encerramento hoje, do recesso legislativo.

MG pode perder investimentos

Minas Gerais pode perder os investimentos em genética que vem realizando há mais de meia década. O alerta é do leiloeiro Sebastião Beraldo, da Embral Leilões Rurais, de São Paulo. "95% do comércio de gado do País passa por nós. Os rebanhos paulistas e mineiros estão indo para o Centro-Oeste, sobretudo Goiás, e para o Nordeste, mas eles não têm know-how para prosseguir com os estudos genéticos", avalia.

O chefe da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Márcio Carvalho, confirma esse movimento dos rebanhos, mas ressalta que muitos empresários entraram no setor quando a situação era favorável e são os primeiros a "pular fora", diante de um sinal de perigo. "O produtor tradicional dificilmente sai da atividade. Ele não tem preparo para isso", acredita.

Ainda assim, ele reforça que o preço do leite pago ao produtor não remunera os investimentos que ele fez. Hoje, em Minas, esse preço varia entre R$ 0,25 e R$ 0,32, quando deveria ser de R$ 0,35 a R$ 0,40 para valer a pena. "Tivemos aumento de produção, com estoque nas indústrias. O apagão ainda tolheu as propriedades, que não puderam fazer uso dos investimentos", enumera. Para o assessor, o leite longa vida também impactou na produção, pois permitiu que as indústrias pudessem transportar o produto por longas distâncias e, assim, comprar o leite em regiões com maior incentivo fiscal, por exemplo.

Carvalho lembra que o produtor é pressionado de um lado, pelo alto custo dos insumos, muitos importados, e de outro, pela indústria.

Fonte: Hoje em Dia/ MG (por Maria Célia Pinto), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?