“Neste momento seria prevista uma queda nos preços, uma vez que é esperada uma diminuição da demanda pelo escoamento das culturas da primeira safra e tendo em vista que os trabalhos relativos ao escoamento dos cultivos na segunda safra ainda vão ser intensificados. No entanto, observa-se uma manutenção dos preços em um patamar elevado, bastante próximo ao obtido no auge da safra, entre fevereiro e março, e importantes rotas”, explica o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth. “A produção recorde de soja, com aumento de 8,8 milhões de toneladas sobre a produção anterior, mantém aquecida a demanda por transporte de grãos”, reforça.
Em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos no país, as variações de preços foram bastante pontuais em relação ao mês anterior, com oscilações muito pequenas e próximas à estabilidade. No entanto, os valores praticados se mantém em patamares elevados, próximos aos registrados entre fevereiro e março
O mercado de fretes rodoviários em Mato Grosso do Sul manteve dinâmica de forte pressão logística e a tendência de sustentação de preços em maio, mesmo diante de acomodação sazonal nos volumes movimentados após o encerramento da colheita da safra de verão. A manutenção do fluxo robusto de escoamento e sustentação das negociações externas mantiveram a demanda firme por transporte rodoviário de grãos.
Já no Distrito Federal o comportamento dos preços de frete agrícola apresentou alta moderada ao longo de maio, sustentado principalmente pelo custo elevado do diesel e pela continuidade do escoamento da safra de soja e milho da região Centro-Oeste. A Conab também verificou elevação nos preços nas praças analisadas no Maranhão. No estado maranhense, a colheita da soja em maio atingiu 92% da área, enquanto a do milho alcançou 27% da área de produção. Dessa forma, a movimentação de grãos foi marcada pelo andamento da colheita e forte pressão logística, com o escoamento rodoviário e ferroviário, para o mercado interno e para exportação, através do Porto do Itaqui. Neste cenário, os fretes apresentaram leve aumento de cerca de 1,20%, na comparação entre abril e maio.
No Paraná, logística de fretes apresentou variações pontuais em relação a abril, mantendo a pressão sobre os custos em rotas específicas, cenário influenciado pela alta do óleo diesel S-10, cotado em média a R$ 6,38/litro, e pela forte concentração de demanda na infraestrutura de transporte rodoviário.
Por outro lado, em Goiás e na Bahia o cenário logístico em maio apontou para um arrefecimento na demanda e na movimentação de fretes. Essa desaceleração temporal no transporte de grãos foi justificada pelo atual calendário de colheita das duas principais culturas do estado: a finalização da safra de soja e o período de entressafra e desenvolvimento que antecede a entrada do milho de segunda safra no mercado.
Panorama semelhante foi encontrado no Piauí. No estado, foi verificado um recuo pontual nos preços praticados em relação ao observado em abril, explicado pela queda observada nas exportações de soja, que reduziu em 22% o seu volume exportado, representando um valor de 64 mil toneladas em termos absolutos. Os fretes também seguiram em baixa nas praças pesquisadas em São Paulo, após as altas no início do ano. Isso foi resultado principalmente de uma combinação de redução dos custos do diesel com o arrefecimento da demanda industrial, mesmo em um cenário de agronegócio ainda aquecido.
Exportações e importações
Os embarques de milho acumulados até maio deste ano atingiram 7,5 milhões de toneladas, contra 6,1 milhões em igual período de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Deste total, foram expedidos pelos portos do Arco Norte 33,5%, enquanto pelo Porto de Santos foram registrados 26,5% dos volumes embarcados, 9,6% do montante nacional pelo porto de Paranaguá e 19,5% por Rio Grande.
Já as exportações de soja atingiram 55,1 milhões de toneladas no acumulado até maio. Os portos do Arco Norte também aparecem como principal porto escolhido pelos produtores, tendo escoado 38,5% do volume. Os embarques da oleaginosa por Santos totalizam 36,8% das exportações nacionais. Pelo porto de Paranaguá foram expedidos 14,2% do volume nacional, enquanto que pelo porto de São Francisco do Sul foram escoados 4,5%.
O boletim ainda traz as internalizações brasileiras de fertilizantes. Segundo o documento, em maio aconteceram as menores compras efetuadas neste período desde 2022. A despeito das grandes oportunidades que se abrem, com a ampliação da oferta brasileira de commodities, os elevados custos do insumo, a insegurança ainda reinante com relação aos desdobramentos no Oriente Médio e a expectativa, já confirmada, do fenômeno climático El Nino, com os especialistas considerando a probabilidade de que ele aumente em intensidade no segundo semestre do ano, elevando as temperaturas médias e alterando o regime de chuvas, representam riscos para as safras em todo o mundo.
De janeiro a maio de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes atingiram 15,05 milhões de toneladas, contra 15,27 milhões ocorridas até o mesmo período do ano passado.
O Boletim Logístico da Conab também apresenta os dados sobre a movimentação de estoques da Companhia, realizada por transportadoras contratadas via leilão eletrônico. As análises completas estão no Boletim Logístico - Junho/2026.
As informações são da Conab, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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