Rabobank: fertilizantes devem seguir sob influência do conflito no Oriente Médio

O mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta um cenário de profunda atenção e reajustes estruturais, impulsionado diretamente pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mesmo após três meses do seu início.

Publicado por: MilkPoint

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O mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta desafios significativos devido ao conflito no Oriente Médio, afetando a demanda global. Apesar de um início forte em 2023, com 9,76 milhões de toneladas entregues, a alta dos preços resultou em uma queda de 64% nas importações de ureia em maio, totalizando o menor volume em 10 anos. Em contrapartida, as importações de fósforo subiram 3%. A expectativa é de uma redução de 8,2% nas entregas totais de fertilizantes, para cerca de 45,1 milhões de toneladas, impactada por custos altos e dificuldades financeiras dos produtores.
O mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta um cenário de profunda atenção e reajustes estruturais, impulsionado diretamente pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mesmo após três meses do seu início. Embora notícias recentes apontem para a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, o impacto negativo sobre a demanda global de insumos agrícolas já se consolidou, refletindo-se de maneira inevitável no panorama do agronegócio no Brasil.

No início do ano, o setor chegou a registrar um ritmo aquecido. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional de Difusão de Adubos (ANDA), o volume de fertilizantes entregues ao consumidor entre janeiro e março atingiu 9,76 milhões de toneladas. Esse desempenho expressivo foi sustentado pela forte demanda voltada ao plantio do milho safrinha. No entanto, é fundamental destacar que esses números iniciais ainda operavam sob uma realidade que não computava a expressiva alta de preços decorrente do início das tensões geopolíticas.

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A dinâmica de preços subsequente desenhou um comportamento bastante específico para a ureia, assemelhando-se ao choque observado nas semanas iniciais da guerra na Ucrânia, em 2022. Naquela ocasião, o mercado levou seis semanas para atingir o pico de preço e outras dez para retornar ao patamar original, totalizando um ciclo de instabilidade de 16 semanas. No cenário atual, o comportamento repetiu rigorosamente esse padrão, demandando as mesmas 16 semanas para que a cotação da ureia retornasse aos níveis anteriores ao conflito.

Essa volatilidade gerou um forte retraimento na busca pelo insumo. Como reflexo direto, o volume de ureia desembarcado no país em maio somou apenas 0,116 milhão de toneladas, montante que representa uma retração de cerca de 64% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Quando analisado o acumulado de janeiro a maio, o volume totalizado foi de apenas 1,5 milhão de toneladas, marcando o menor patamar registrado nos últimos 10 anos. Apesar de ainda haver uma janela de tempo hábil para mitigar esse atraso nas importações, torna-se progressivamente mais complexo reverter o quadro para superar o volume total que foi importado no ano anterior.

Por outro lado, o mercado de fósforo apresenta uma movimentação distinta. As importações totais desse nutriente, expressas em P2O5, acumularam uma alta de 3% entre janeiro e maio em comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Essa sustentação ocorre porque a retração nas compras de MAP está sendo compensada pelo incremento na entrada de SuperSimples (SSP) e SuperTriplo (TSP). Ainda assim, a pressão exercida pelos patamares elevados de preço dos adubos projeta impactos restritivos para a demanda total ao longo do ano.

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Diante desse cenário desafiador, a expectativa geral aponta para uma retração consolidada na demanda por fertilizantes. Esse recuo não é motivado apenas pelos custos elevados dos insumos, mas também pela delicada situação financeira enfrentada por uma parcela significativa de produtores rurais no território nacional, o que restringe o poder de compra e reduz a procura. Diante de todas essas variáveis, as projeções do RaboResearch indicam que as entregas totais de fertilizantes no Brasil devem se posicionar por volta de 45,1 milhões de toneladas, o que equivale a uma queda de 8,2% em comparação com o volume registrado no ano anterior.

As informações são do Rabobank, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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