No tradicional pólo da pecuária leiteira a produção está em declínio ou estagnada, com exceção de Minas Gerais, maior produtor nacional. Nos próximos anos, a previsão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Leite, localizada em Juiz de Fora (MG), é que a produção leiteira na região Norte cresça 200%.
Apesar de a base ser relativamente pequena, na avaliação do chefe-geral da instituição, Duarte Vilela, a expansão em Rondônia, no Pará e no Tocantins tem sido um dos principais fatores do incremento da produção brasileira.
Segundo os últimos dados anuais disponíveis da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a produção de leite cresceu 18% no Norte entre 2001 e 2000, atingindo 1,2 bilhão de litros. Já no Sudeste a atividade permaneceu estagnada, com patamar de cerca de 8,5 bilhões.
Os preços mais baixos de insumos nessas novas áreas, especialmente com relação à alimentação dos animais, são a principal razão para o deslocamento da produção. No Estado de São Paulo, terceiro maior produtor, ao lado do Rio Grande do Sul e do Paraná, os custos de produção chegam a ser 15% maiores que os registrados em Goiás, que detém a segunda colocação, atrás de Minas Gerais.
"A pecuária de leite brasileira está migrando para onde os custos são menores. Ao contrário do Sudeste, no Norte o gado se alimenta principalmente de pasto, o que faz com que os produtores dependam menos de insumos caros como a soja e o milho", afirmou o economista da CNA, Marcelo Martins.
Esse ponto de vista também é partilhado pelo presidente da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite), Jorge Rubez. Ele, porém, destaca que não há uma migração de produtores do Sudeste para outras regiões, mas o crescimento do interesse de outros produtores. "Em São Paulo, muitos pecuaristas estão se desfazendo dos seus plantéis para se dedicar ao plantio de cana e de milho".
A produção de leite no Norte, entretanto, ainda tem fragilidades na opinião de Vilela. Por esse motivo, a Embrapa realizará até o fim desse semestre um workshop com produtores da região. "O rebanho ainda é bastante rudimentar com raças de dupla aptidão", declarou.
Fonte: Folha de S.Paulo/Agrofolha, adaptado por Equipe MilkPoint
Produção leiteira cresce no Norte do País
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