Produção de leite no Chile cairá 10% este ano

Publicado por: MilkPoint

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A forte seca que afeta o sul do país e os baixos preços de compra impostos pela indústria durante os últimos meses são as causas que explicam a queda de pelo menos 10% que ocorrerá na produção de leite durante este ano no Chile.

O presidente da Federação Nacional dos Produtores de Leite do Chile (Fedeleche), Jorge Alamos, informou que essa redução já foi detectada nos primeiros meses do ano, período em que houve uma leve redução com relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2001, a recepção de leite a nível nacional alcançou 1,64 bilhão de litros, enquanto que a produção esperada para este ano é de cerca de 1,45 bilhão de litros. Esta queda na produção equivale ao consumo de leite de um mês em todo o país.

Os primeiros sinais desta queda na produção de leite no Chile já estão aparecendo, e Alamos prevê que a baixa se acentue até o inverno, devido à redução na oferta de alimentos aos animais. Essa situação poderá se agravar ainda mais, caso a seca continue no país - menos alimentos para as vacas implica em menor produção de leite.

À seca, une-se um outro fator de ordem econômica, referente aos baixos preços atualmente pagos pelas indústrias aos produtores que, em muitos casos, nem sequer cobrem os custos de produção, e que impedem que os produtores invistam em alimentos substitutos aos animais em situações de seca. Segundo as últimas informações, o litro de leite está sendo comprado pelas indústrias por uma média de US$ 0,14.

Esta situação levou muitos produtores de leite chilenos a abandonarem a atividade, liquidando seu plantel, já que o negócio não somente não estava mais sendo atrativo mas estava indo além, ou seja, provocando prejuízos. Inclui-se nesse cenário a tensa relação entre as indústrias e os produtores de leite do país, que levou neste ano a não se conceder o "bônus pela seca", um incentivo utilizado nos anos anteriores.

A crítica situação pela qual o setor leiteiro do país está atravessando levou o presidente da Fedeleche a reunir-se com o ministro da Agricultura, Jaime Campos, a fim de discutirem soluções para esses problemas. Apesar de admitir que houve discussão de "algumas saídas", Alamos não informou quais foram essas discussões, apenas informou que, a longo prazo, objetiva-se uma maior integração dos produtores com a cadeia produtiva do leite.

Entre os temas discutidos estava o potencial do setor leiteiro no Chile que, na opinião de Alamos, encontra-se bloqueado pela atual política de preços, os quais são impostos pelo setor industrial.

O presidente da Fedeleche disse que as planilhas de preços das grandes empresas acabam por incentivar uma produção de leite mais constante durante todo o ano - similar tanto no verão como no inverno - o que implica em um maior custo para os produtores. Isso porque, no inverno, o crescimento dos pastos é menor, o que obriga a utilização de forragens e concentrados, e, conseqüentemente, eleva o custo de produção.

Alamos explicou que esta distribuição produtiva que estão tentando impor é totalmente diferente daquela que ocorre na Nova Zelândia, país com menores custos de produção e, no entanto, um dos maiores exportadores de produtos lácteos do mundo.

Segundo ele, na Nova Zelândia, a estacionalidade de produção é marcada, o que permite que seus produtores produzam um alto nível de leite no verão a preços muito baixos e que sejam altamente competitivos no mercado mundial, situação contrária ao que ocorre no Chile, onde as empresas castigam a alta produção com preços menores.

Fonte: El Mercúrio (por Cristián Rodríguez Castelblanco), adaptado por Equipe MilkPoint
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