Produção de leite no Chile cai a níveis de 1998

Publicado por: MilkPoint

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O ano de 2002 trouxe consigo um cenário leiteiro bastante influenciado pela publicação de novas pautas de pagamento por parte das 4 maiores empresas do setor do Chile - Soprole, Nestlé, Loncoleche e Parmalat. Essas pautas implicam uma redução no preço, em torno de 10 pesos chilenos (US$ 0,015) por litro, a qual se soma à redução similar feita no final de 2001. Essa redução gerou uma situação muito difícil para os produtores de leite chilenos, já que, em muitos casos, os preços resultantes não serão suficientes para cobrir os custos de produção.

Isso se traduzirá em uma redução importante no uso de alimentos concentrados, em um aumento na venda de vacas, na engorda de novilhas e provavelmente, no fechamento de várias propriedades leiteiras, situação que já está ocorrendo no Chile atualmente.

Além disso, durante os últimos meses, pôde ser verificado um forte aumento nos subsídios de exportação aplicados pelos Estados Unidos e pela União Européia, o que trouxe como conseqüência uma queda nos preços internacionais do leite em pó, afetando diretamente o preço no mercado interno.

No Chile, os dados oficiais mostram que o ano de 2001 fechou com um aumento na recepção de leite pelas indústrias em 13,1%, o que equivale a um volume de 1,636 bilhão de litros, marcando um recorde histórico como o ano de maior recepção da história do país. Apesar deste nível ser substancialmente maior do que o registrado em 2000, vale destacar que é somente 6,9% superior ao valor registrado em 1998. Isso faz com que o aumento na recepção de leite no Chile nos últimos três anos, que teve uma média de 2,2%, seja consideravelmente inferior à média registrada pelo país de 1989 a 1998, que chega a 8,5% de crescimento médio anual.

Esta tendência a um menor crescimento tem se mantido desde o primeiro mês de 2002, de forma que o aumento na produção de janeiro deste ano, com relação ao do ano passado, foi de apenas 2,8%. Além disso, em fevereiro, não houve crescimento da produção, conseqüência da forte seca que afetou a zona sul do país.

Comércio exterior

Os dados do comércio exterior do ano de 2001 evidenciam um aumento nas exportações, que totalizaram US$ 44,5 milhões, com elevação de 66% com relação ao ano 2000.

Com relação às importações, em 2001, houve redução, ficando no valor de US$ 35 milhões, o que implica uma balança comercial láctea positiva para o país, de cerca de US$ 9,5 milhões.

Os preços pagos ao produtor na campanha recém-terminada alcançaram valor de 115,32 pesos (US$ 0,18) por litro. No entanto, vale destacar que este preço esteve fortemente influenciado pelos preços registrados entre maio e julho, momento em que teve início um processo de queda que se manteve e se acentuou até o final do ano, traduzindo-se em um preço médio para o mês de dezembro de 105 pesos (US$ 0,16) por litro, contra os 115 (US$ 0,18) por litro registrados no mesmo mês do ano anterior.

Vale destacar que, apesar do preço médio reportado pelo Odepa servir como um indicador da situação, existe hoje uma variabilidade nos preços muito ampla, o que faz com que o preço do leite flutue entre 100 e 67 pesos (US$ 0,15 e US$ 0,10) por litro.

Todos os antecedentes disponíveis levam a estimativas de uma conjuntura muito difícil para curto prazo, com subsídios internacionais em aumento, uma baixa no preço interno de compra e condições climáticas no sul do país que gerarão um grave dano às pastagens, obrigando o uso de forragens conservadas para o inverno.

Caso não ocorra uma alta nos atuais preços pagos pelo leite no Chile, a produção poderia voltar a níveis similares aos registrados em 1998, com o qual se geraria uma menor disponibilidade de leite para exportação, existindo a possibilidade de uma balança zero ou, inclusive, negativa.

Além disso, o aumento dos preços internos da carne bovina, devido ao fechamento das fronteiras com os países que têm febre aftosa, tornam atrativas a venda de vacas e a engorda de novilhas leiteiras, sem contar que esses melhores preços da carne incentivam os produtores a engordar seus bezerros leiteiros, diminuindo ainda mais a disponibilidade deste produto.

Todos estes fatores ratificam o caráter estrutural da produção leiteira do Chile, no sentido de que, devido à baixa dos preços pagos ao produtor, que foi da ordem de 10%, esses respondem com uma menor oferta de leite na mesma proporção, de forma que a expectativa é que, em 2002, o desabastecimento interno de leite retorne ao nível histórico de -10% e, com isso, as especulações exportadoras usadas pela indústria chilena para reduzir o preço de compra aos produtores locais desaparecerão.

Informe de Conjuntura elaborado pelo Departamento Técnico da Federação Nacional dos Produtores de Leite (Fedeleche) do Chile.

Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
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