Segundo dados divulgados pela Federação Nacional dos Produtores de Leite do Chile (Fedeleche), com base em informações da Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (Odepa), foram recebidos pelas indústrias 59,2 milhões de litros a mais na comparação anual. O crescimento também aparece quando considerado o período de 12 meses. No último ano móvel, a recepção chegou a 2,430 bilhões de litros, aumento de 4,6% frente ao período anterior. O avanço da produção, porém, ocorre simultaneamente à redução do preço real recebido pelos produtores.
Preço ao produtor cai 1,6%
Nos primeiros sete meses de 2026, o preço real médio pago ao produtor chileno ficou em aproximadamente 469,63 pesos por litro (US$ 0,52/litro), ante 477,17 pesos por litro (US$ 0,53/litro) no mesmo período de 2025. A redução foi de 7,54 pesos por litro (cerca de US$ 0,008/litro), equivalente a uma queda real acumulada de 1,6% na comparação anual.
Quando considerado o ano móvel, a tendência também foi negativa. O preço médio passou de 466,8 pesos (US$ 0,52) para 457,2 pesos por litro (US$ 0,51), redução de 2,1% frente ao período anterior. De acordo com a Fedeleche, o crescimento da atividade produtiva contrasta com a evolução dos preços ao produtor, que não estaria compensando o aumento dos custos, aumentando a pressão sobre a rentabilidade das propriedades leiteiras.
Julho teve alta de 6,9% na recepção
O desempenho da produção ganhou força em julho. No mês, a recepção industrial de leite cru chegou a 155,8 milhões de litros, crescimento de 6,9% em relação a julho de 2025. Foram 10,1 milhões de litros adicionais na comparação entre os dois períodos.
Segundo os dados apresentados pela Fedeleche, o comportamento da recepção foi majoritariamente positivo entre as regiões produtoras, fazendo de julho o melhor ponto do ano até aquele momento. As informações da Odepa e da Fedeleche também relacionam o crescimento da recepção nacional a melhores condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Preço também recuou em julho
Enquanto a quantidade de leite recebida pelas indústrias aumentou, o preço real ao produtor apresentou queda na comparação anual. Em julho, o preço ficou em aproximadamente 484,5 pesos chilenos por litro (US$ 0,54/litro). Os dados divulgados apontam redução em relação ao mesmo mês de 2025.
A outra análise divulgada pela Fedeleche aponta valor de 484,54 pesos por litro (US$ 0,54/litro), ante 490,75 pesos por litro (US$ 0,55/litro) em julho de 2025, diferença de 6,20 pesos por litro (cerca de US$ 0,007/litro). Assim, os dados dos primeiros sete meses de 2026 mostram dois movimentos simultâneos no setor leiteiro chileno: crescimento da quantidade de leite entregue às indústrias e redução do preço real recebido pelos produtores.
Custos preocupam produtores
Para a Fedeleche, o cenário exige atenção justamente porque o crescimento da produção ocorre enquanto os preços ao produtor não acompanham a evolução dos custos. A entidade afirma que os produtores precisam de sinais de preços capazes de compensar o aumento dos custos operacionais e permitir a manutenção dos investimentos necessários para continuar expandindo a produção de leite no país.
Até julho, portanto, a atividade produtiva chilena apresentava evolução positiva: a recepção acumulava alta de 4,8% e, somente em julho, avançava 6,9% na comparação anual. Ao mesmo tempo, o preço real médio recebido pelo produtor acumulava queda de 1,6% nos primeiros sete meses do ano.
As informações são da Fedeleche¹².
Vale a pena ler também:
Maior oferta de leite do Sul pressiona spot, enquanto mercado internacional e grãos avançam
Banco do Brasil projeta alta na demanda por proteínas no 4º trimestre