Produção cara reduz o lucro de pecuarista de Goiás

Publicado por: MilkPoint

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O mercado de leite está estável, os preços se mantêm em níveis compatíveis com a realidade do mercado, mas o produtor continua sem obter lucro na atividade. Na maioria dos casos, apenas empata ou consegue ganho mínimo. Recebendo preço médio de R$ 0,36 por litro, segundo levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), os pecuaristas não têm como fazer novos investimentos. No mercado geral de leite in natura, os preços pagos variam de R$ 0,29 a R$ 0,45, dependendo da região e do porte do fornecedor.

Os reflexos da queda de preços, verificada em pleno período seco no ano passado, estão surgindo agora, com redução substancial da oferta de leite in natura. É que houve desarticulação do setor produtivo, pois muitos produtores descartaram plantéis, selecionaram melhor os animais, elevando a produtividade, ou simplesmente abandonaram a atividade. O resultado foi a queda no número de vacas ordenhadas e na oferta do produto.

Concorrência

As indústrias têm suprido as necessidades do mercado interno com leite em pó importado, produto que chega ao Brasil ao preço médio de R$ 0,50 o litro. Segundo o economista da Faeg, Edson Alves Novaes, isso é intrigante porque o preço médio no mercado interno está entre R$ 0,36 e R$ 0,38. Se o importado está chegando mais caro, as empresas poderiam estimular o aumento da produção interna, melhorando o preço ao pecuarista. Com maior incentivo, a resposta do produtor será imediata.

De acordo com levantamento feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de janeiro a agosto deste ano as importações de produtos lácteos totalizaram 153,08 mil toneladas, volume 35,6% maior que as importações feitas no mesmo período de 2001. Em gastos, as compras do Brasil no mercado externo somam US$ 174,34 milhões, 23% mais que em igual período do ano passado.

Por enquanto, as indústrias não firmaram nenhum contrato sobre fornecimento de leite com os produtores de Goiás, como prevê acordo firmado pela Faeg e o Sindicato das Indústrias de Laticínios, com aval do governo estadual, por meio da Secretaria de Agricultura. É que o prazo, antes fixado para o mês de agosto, foi dilatado para outubro. A exigência é feita a todas as indústrias que têm incentivos fiscais do Produzir ou do antigo Fomentar. Uma das cláusulas prevê que o preço do leite a ser pago ao produtor no mês seguinte deve ser fixado até o dia 25 do mês anterior.

Leite perde para inflação

A pesquisa da Faeg, coordenada pelo técnico Edson Novaes, não deixa dúvida quanto ao descompasso entre a evolução dos preços do leite ao produtor e a dos custos de produção, qualquer que seja o período tomado como referência, desde a instituição do Plano Real. De julho de 94 a julho de 2002, por exemplo, os preços médios do leite in natura subiram 71,95%, perdendo de longe para todos os índices econômicos do País, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC/IBGE), que chegou a 118,99% no mesmo período.

A discrepância é maior ainda, quando se comparam os preços do leite com os dos principais insumos utilizados na atividade. Segundo Novaes, no mesmo período, o litro do óleo diesel registrou alta de 197,52%, passando de R$ 0,36 para R$ 1,08, o farelo de soja subiu 215,66%, saltando de R$ 8,30 para R$ 26,20 a saca de 50 quilos, e a tonelada de fertilizante na fórmula 5-25-15+Zn foi de R$ 176,00 para R$ 426,00, emplacando um reajuste de 176,14%. Os medicamentos veterinários aumentaram em média 172,73% e até o desprestigiado salário mínimo variou 208,69% no período considerado.

Troca

Tomando-se por base julho de 2002, em comparação com julho passado, o preço do leite acumulou um reajuste aparentemente significativo de 28,96% que, entretanto, além de insuficiente para repor as perdas acumuladas ao longo do Plano Real, ainda foi anulado em grande parte pela alta dos custos de produção no período. Alguns dos principais medicamentos utilizados na pecuária de leite subiram até 35%, o diesel 25,73%, o milho, um dos principais ingredientes das rações, 22,86%, e o adubo 20-5-20+Zn, 18,18%.

Uma outra visão dessa disparidade nos ritmos de crescimento dos preços do leite e dos insumos, pode ser obtida através de uma simples observação das relações de troca. Tomando-se o leite como moeda de troca, conclui-se que o produtor que dispendia, em julho de 94, 39 litros do produto para adquirir uma saca de 50 quilos de farelo de soja, em julho deste ano já teve de entregar 72 litros, ou 84,6% a mais. Da mesma forma, a tonelada de adubo da fórmula 20-5-20+Zn, que equivalia a 1.188 litros de leite no início do período considerado, no final já se equiparava a 1.428 litros.

Fonte: O Popular/GO, adaptado por Equipe MilkPoint
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