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Pressão de caminhoneiros faz governo Bolsonaro segurar preço do diesel

O presidente da República, Jair Bolsonaro, determinou a suspensão do reajuste de 5,7% no preço do diesel (o litro passaria de R$ 2,1432 para R$ 2,2662), anunciado pela Petrobras. O novo valor começaria a ser cobrado na última sexta-feira (12), mas vai ficar suspenso até que os técnicos da estatal justifiquem ao presidente a necessidade do aumento.

A empresa manteve sem alteração o preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias, válido até o último dia 13, em R$ 1,9354. Além disso, a estatal manteve sem alteração o preço do diesel, em R$ 2,1432, conforme tabela disponível no site da empresa. “Liguei para o presidente, sim. Eu me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista. Não vou praticar a política que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras”, afirmou Bolsonaro no Amapá, onde inaugurou o aeroporto internacional de Macapá. A alta divulgada na última quinta-feira (11), seria a maior desde que os presidentes da República e o da petroleira, Roberto Castello Branco, assumiram os cargos. Pressão de caminhoneiros contra o aumento está por trás da decisão de Bolsonaro, que disse estar preocupado com o transporte de cargas.

A decisão do presidente, entretanto, causou apreensão no mercado financeiro. O principal indicador da bolsa paulista, a B3, fechou em queda no último dia 12. O Ibovespa terminou o último pregão da semana com queda de 1,98%, a 92.875 pontos. Já a ações ordinárias da Petrobras caíram 8,54%, negociadas abaixo de R$ 30 por papel. As preferenciais recuaram 7,75%, perto de R$ 25 por ação. Apesar do forte tombo, os papéis da Petrobras ainda acumulam valorização de mais de 15% no ano. A estatal perdeu quase R$ 34 bilhões em valor de mercado. O movimento refletiu preocupações sobre a liberdade operacional da petrolífera de controle estatal depois que a companhia recuou da decisão de aumentar o preço do diesel. Após o fechamento do pregão, a Petrobras era avaliada em R$ 390,52 bilhões.

Na última quinta-feira, a Petrobras anunciou um aumento de 5,7% no preço do diesel, 15 dias após o último ajuste. Em nota divulgada horas depois, no entanto, a petroleira suspendeu o aumento, afirmando que “avaliou ao longo do dia, com o fechamento do mercado, que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel”. Segundo Pablo Spyer, da corretora Mirae Asset, o recuo gerou reação dos investidores avessos à medida. “Traz um desconforto, principalmente, porque mudou muito radicalmente a decisão.” Até então, a maior alta tinha sido de 3,5%, registrada em 23 de fevereiro. Com exceção desses dois casos, os preços variaram em intervalos de 1% a 2,5%.

Para Bolsonaro, o valor não corresponde à inflação projetada para o período. “Convoquei para a próxima terça-feira todos da Petrobras para me esclarecerem o porquê dos 5,7%, quando a inflação projetada para este ano está abaixo de 5%. Só isso e mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, vamos dar a resposta adequada a vocês”, afirmou Bolsonaro. Em março, a Petrobras se comprometeu a congelar o preço do óleo diesel nas refinarias por pelo menos 15 dias. Por causa da política de preços dos combustíveis da estatal, os caminhoneiros pararam o país em maio do ano passado. Neste início de ano, com o petróleo em alta, o diesel voltou a ser uma ameaça e mais uma vez a classe avalia cruzar os braços.

A mudança na política de preço dos combustíveis foi adotada na gestão do ex-presidente da companhia Pedro Parente, que determinou a revisão diária da tabela nas refinarias, em linha com o mercado internacional. Sem saber o preço que pagaria pelo combustível no fim de uma viagem, os caminhoneiros entraram em greve. Além disso, para encerrar os protestos, o governo ainda subsidiou o diesel por um semestre. Apenas em 2019, o diesel voltou a ser reajustado periodicamente, semanalmente. Na terça, sob ameaça de nova greve, a Petrobras anunciou que vai manter os preços inalterados por, pelo menos, mais uma semana.

O conselho de administração da Petrobras recebeu mal a notícia de que a empresa voltou atrás na decisão de reajustar o preço do diesel. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse aos conselheiros de administração da empresa, em teleconferência, que segurou o preço do óleo diesel e desistiu do reajuste de 5,7% que chegou a ser anunciado na quinta-feira, por determinação do presidente da República, Jair Bolsonaro.

A teleconferência foi convocada no fim da manhã, após notícias de que os conselheiros desaprovaram a medida. A ideia era que a diretoria se posicionasse apenas na próxima reunião, marcada para o dia 24. Mas, diante do mal-estar, Castello Branco optou por antecipar seu posicionamento. Esta é a segunda vez em poucos dias que membros do colegiado demonstram insatisfação com decisões tomadas pela diretoria. A primeira foi com o tamanho do crédito acertado com a União pela cessão onerosa. O valor de cerca de US$ 9 bilhões foi considerado baixo por alguns deles.

Comemoração nas estradas

“Estou preocupado com o transporte de carga, com os caminhoneiros. São pessoas que realmente movimentam as riquezas. Queremos um preço justo para o óleo diesel”, disse o presidente Jair Bolsonaro, para justificar a decisão de segurar o preço do diesel. A avaliação de um integrante do governo é de que os caminhoneiros “conheceram a sua força” na última greve e que agora possuem maior poder de negociação. Na manhã do dia 12, um dos principais líderes dos caminhoneiros, Wallace Landim, o Chorão, creditou ao presidente Bolsonaro e a ministros palacianos o recuo da Petrobras sobre o aumento do diesel. “Isso prova que mais uma vez o presidente está do nosso lado, ao lado da categoria. É um comprometimento que ele teve com a categoria e que a gente teve apoiando a sua candidatura".

Ele afirmou que os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto, foram os responsáveis por levar o “problema” do aumento de preços para Bolsonaro na última quinta-feira. “Preciso agradecer num primeiro momento ao ministro Onyx (Lorenzoni, da Casa Civil) e ao ministro Floriano Peixoto (da Secretaria-Geral), que levaram o problema (do aumento de preços) para o nosso presidente”, afirmou. “A gente fica muito feliz, porque vê que ele (Bolsonaro) está olhando por nós. Só que a gente também sabe que não é uma situação muito fácil, vem chumbo grosso por aí, pode ter certeza, porque querendo ou não interfere na política de preços (da Petrobras)”, declarou.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que a determinação de Bolsonaro para a Petrobras recuar do reajuste no diesel foi caso “isolado”, que crê em bom senso e que não se repetirá a política de preços adotada do governo Dilma Rousseff (PT). O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência monitora atentamente as movimentações de caminhoneiros em direção a uma nova greve desde o mês passado.

O governo quer evitar o início de uma greve com receio de que tome as mesmas proporções da que ocorreu no ano passado, quando a paralisação durou 11 dias. O estopim, na época, foi justamente as altas do preço do diesel. Vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Krishna Srinivasan foi questionado sobre a movimentação do presidente Jair Bolsonaro para barrar um reajuste do preço do diesel. Segundo Srinivasan, a empresa vinha em uma trajetória positiva e não é possível dizer, já neste momento, se isso provocaria uma revisão para um lado ou para outro na perspectiva para a estatal brasileira.

As informações são do jornal Estado de Minas, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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