Os preços médios do leite tipo C acumularam quedas nas principais bacias produtoras do Brasil - Goiás, Minas Gerais e São Paulo - nos últimos doze meses. As quedas foram de 9,4 % em GO, 17,2 % em MG e 9,98 % em SP. O recuo é atribuído ao excesso de oferta de leite nestas regiões, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Dezembro
A média dos preços recebidos pelos produtores de leite B em todo o Brasil caiu 1,03% em dezembro, enquanto a média do leite tipo C permaneceu estável, com um ligeiro aumento de 0,41%. O valor médio negociado em dezembro, referente ao produto entregue em novembro, foi de R$ 0,3321/litro do leite B e R$ 0,2626/litro do leite C, enquanto no mês anterior, os preços médios registrados foram de R$ 0,3355/litro e R$ 0,2615/litro. A diferença nas oscilações dos dois tipos de leite é característica destes produtos, sendo o tipo B normalmente mais sensível à variação nas cotações. A irrelevante alta de 0,41% nos preços médios do leite C, que em valores nominais representa acréscimo de R$ 0,0011/litro, não reflete o comportamento das cotações em cada bacia leiteira. Alguns estados apresentaram quedas no preço, como Goiás (-2,45%), Minas Gerais (-1,51%) e São Paulo (-1,49%), dando continuidade ao movimento de baixa observado desde agosto deste ano, em função da entrada da safra do produto.
A maior queda registrada em dezembro foi na região de Ribeirão Preto/Franca (SP), onde o leite desvalorizou 6,29% devido a um reajuste tardio dos preços, ao contrário das outras regiões produtoras, que vinham apresentando quedas consecutivas nas cotações. Já nos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, os preços do leite tipo C tiveram uma recuperação de 3,37% e 4,76%, respectivamente, indicando um ligeiro aquecimento nas vendas de derivados lácteos, principalmente queijo. A escassez do leite extra cota no Rio Grande do Sul indica uma redução na oferta do produto, provocando, assim, uma elevação dos preços. Esta redução na oferta é dada principalmente pela entrada da entressafra no estado. Vale ressaltar que o aumento do consumo dos produtos lácteos interfere mais nos preços pagos aos produtores do que alterações na oferta do leite.
Para o leite B, as quedas mais acentuadas em dezembro se deram na região de Ribeirão Preto/Franca (-2,5%), sul de Minas Gerais (-2%) e no estado de São Paulo (-0,50%).
Excesso de oferta
O excesso de oferta de leite nas principais bacias leiteiras foi provocado pelos preços remuneradores entre junho e julho de 2000, o que estimulou os produtores a investir no rebanho, provocando a maior oferta de leite este ano. A maior produção de leite não foi absorvida na mesma intensidade. Em agosto, período de entressafra, as cotações já mostravam sinais de desaquecimento. Nem mesmo a redução das importações deu um fôlego ao setor.
A empresa mineira Embaré Indústrias Alimentícias tem adotado uma política diferenciada de pagamento aos produtores, diz Haroldo Antunes, presidente da empresa. Segundo Antunes, a companhia remunera o produtor com prêmio entre 2% e 10% maior para garantir o fornecimento do produto. A Embaré Indústrias Alimentícias deve fechar o ano com captação de 198 milhões de litros de leite e se estabelecer entre as dez maiores indústrias lácteas do país.
Fonte: Terra Viva e Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Preços do leite caem nas principais bacias produtoras
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