A falta de chuva, que afeta diretamente a formação de pastagens, começa a mostrar os reflexos nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, elevando o preço do leite. A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). O valor do litro de leite pago ao produtor rural na região de Uberlândia registrou a melhor média desde o início do ano, atingindo a variação de R$ 0,39 a R$ 0,40, sendo que, em Minas Gerais, maior Estado produtor de leite do País, o preço máximo é R$ 0,44.
Para a direção da Cooperativa dos Produtores Rurais de Uberlândia Ltda (Calu), esse aumento deve permitir que os produtores recuperem parte das perdas de 50% no preço do produto registradas no ano passado. Em 2001 a melhor média de preço do litro de leite pago ao produtor foi de R$ 0,39. Em 2000 a média oscilou entre R$ 0,42 e R$ 0,44.
O consumidor também está pagando mais caro pelo produto. O litro do leite tipo C, em saquinho, teve aumento de R$ 0,10, em média, passando de R$ 0,80 para R$ 0,90.
Entressafra
A época atual é de entressafra e se estende até outubro, quando começa o período chuvoso, por isso, a tendência natural seria de elevação no preço. Para o presidente da Calu, Jerônimo Gomes Ferreira, esse comportamento do mercado não está se confirmando até agora. "Estamos em um momento de instabilidade no preço, não sei se é por causa do leite que vem do Mercosul, como do Uruguai, por exemplo, ou outro fator desconhecido. Isso afeta o mercado interno", afirmou.
Para ele, a instabilidade no preço do leite é o principal inimigo do produtor rural. Ferreira explica que não existe um estoque mínimo, com exceções de empresas que armazenam leite em pó, para abastecer o mercado em momentos de baixa da produção. "O que existe é a falta da fixação de um preço mínimo para o leite, como existe para outros produtos agrícolas. Esse é o ponto principal para melhorar a atividade", afirmou. Ele aponta ainda a falta da criação de um fundo que administraria campanhas de marketing para aumentar o consumo interno per capita, que hoje é de 60 litros/ano e a maior organização dos produtores através das cooperativas.
A implantação do processo de granelização (resfriamento) do leite fez com que muitos pequenos produtores deixassem de entregar o produto para a Calu. Atualmente, a cooperativa tem cerca de três mil associados, sendo que cerca de 800 entregam a produção leiteira. Em 1999 esse número de produtores chegou a 1,5 mil. Mesmo assim, a produção atual é maior. São processados hoje cerca de 115 mil litros de leite por dia, enquanto, há três anos, essa produção era de 80 mil litros/ dia. Para Ferreira, o processo do setor leiteiro está dividido em quatro partes: produção, transporte, indústria e venda de produtos acabados. Segundo ele, enquanto os dois primeiros processos estão nas mãos das cooperativas, os outros dois estão sendo controlados pelas grandes indústrias. "Sem o fortalecimento do produtor e das cooperativas, essa situação não será revertida", afirmou.
Fonte: Jornal Correio/ Uberlândia, MG - www.jornalcorreio.com.br , adaptado por Equipe MilkPoint
Preço pago ao produtor de leite sobe para R$ 0,40 em MG
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.