"Estamos satisfeitos e entusiasmados. Acabou a escravidão do produtor de leite". Assim o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando disse ter recebido a inclusão do leite na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), anunciada na terça-feira pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. A medida, ainda de acordo com Renato da Cunha Oliveira, era reivindicada há muito tempo pelos produtores, que vêem a inclusão do leite na PGPM como uma alternativa de estabilidade para o setor. Ele, porém, lamentou os elevados preços dos insumos.
Além de representar uma vitória para o produtor, a medida possibilitará a estocagem no período das chuvas, quando a produção aumenta mais do que o mercado pode absorver, e a indústria aproveita para derrubar os preços, muitas vezes, além do que seria razoável. O dirigente da Associação Girolando cita que 80% do leite produzido no Brasil são fornecidos pela raça.
Renato da Cunha Oliveira reforça que a fixação do preço de referência para o leite era "um sonho antigo" do segmento da produção leiteira. "No ano de 2000, fomos duramente castigados com a maior crise. O preço do litro do produto chegou a quase zero. Em algumas regiões, oscilou entre R$ 0,10 e R$ 0,25. Um absurdo. Foi por isso que realizamos, em Uberaba (MG), a 1ª Semana Nacional do Leite. Um amplo debate dos problemas enfrentados pelo setor, à época, com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, Confederação Nacional da Agricultura, Câmara dos Deputados e Cooperativas. Ao final dos debates, uma conclusão unânime: definir a segurança para o preço do leite, através do preço mínimo", comenta.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, anunciou a inclusão do leite na pauta da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), em Salvador (BA), durante a realização da Fenagro-2002. Voto aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), por sugestão do ministro, estabelece o preço de referência de R$ 0,32/litro para São Paulo. O valor estabelecido agora pelo governo servirá apenas como referência para os financiamentos à estocagem, não tendo relação com o mínimo praticado pelo mercado. Em algumas bacias leiteiras, como São Paulo, Minas Gerais e outros, as indústrias chegam a pagar hoje acima de R$ 0,45/litro. O preço de referência do leite será regionalizado para as principais bacias produtoras do País, levando-se em conta os custos de transporte do produto entre essas e a praça de São Paulo. A operacionalização do financiamento se dará para subprodutos lácteos que possam ser armazenados por um tempo mínimo de seis meses, como queijo, leite longa vida, leite em pó e manteiga.
Para o presidente da Associação Girolando, além de atender à reivindicação do segmento, o ministro Pratini de Moraes deu um impulso na classe produtora do Brasil, nas áreas da pecuária e da agricultura. "O produtor agora tem garantia. Sempre dizíamos que o produtor não podia nem abrir um carnê de prestações, por não saber antecipadamente quanto iria receber pelo produto entregue", diz. Renato da Cunha Oliveira assinala que o problema histórico do preço do leite no Brasil sempre deveu-se "à fragilidade do setor; em outras palavras, a falta de união de todos nós". Entretanto, ele disse que o primeiro passo para reverter o quadro foi dado com o preço mínimo.
Outra grande dificuldade enfrentada pelo setor e apontada por ele refere-se ao corporativismo do setor industrial, principalmente das multinacionais. O mesmo em relação às empresas de varejo que fazem chegar o leite até o consumidor final. "Os estabelecimentos varejistas têm conseguido evoluir seu ganho de 10% para 17%, de acordo com dados da Scot Consultoria, o que dificulta o trabalho do produtor", diz. Considera a união de todos como única saída para os produtores se manterem na cadeia do agronegócio. E completa: "essa unidade seria através das associações constituídas e, também, das cooperativas que, infelizmente, insistem em trabalhar de forma isolada, sem um nível ideal de profissionalização. Em conseqüência, pagam pouco para o produtor".
Em Uberaba, por exemplo, o preço médio, hoje, fica entre R$ 0,40 e R$ 0,48/litro.
Fonte: Assessoria de imprensa da Associação Girolando (Lúcio Castellano), adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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