A expectativa de menores cotações para o leite de agosto pago em setembro não se confirmou. Os valores recebidos pelos produtores permanecem quase os mesmos praticados em abril, mesmo com a proximidade da safra. Segundo a Scot Consultoria, o litro do tipo C se manteve em R$ 0,38 em Minas, R$ 039 em Goiás e R$ 0,36 em São Paulo.
Alguns laticínios em São Paulo e Rio Grande do Sul chegaram até a baixar o preço, mas recuaram e o motivo é simples: falta leite no mercado. Em 2001, a produção brasileira atingiu 20,6 bilhões de litros, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que ainda estima aumento de 2% em 2002. Mas, como o produtor não investiu na alimentação este ano, fontes do setor falam em estabilidade ou queda para 19 bilhões de litros.
Apesar de estarem recebendo 28% mais do que no início do ano, os produtores não estão satisfeitos. Segundo o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, o custo está em R$ 0,40 por litro devido ao aumento dos insumos cotados em dólar e à alta do milho e da soja. A indústria argumenta que também está sendo prejudicada, uma vez que não consegue repassar preços graças à acirrada concorrência.
Até as importações, que cresceram 35% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2001, podem deixar de ser solução para as indústrias. Com as menores exportações de Argentina e Uruguai e a maior demanda do Sudeste Asiático, os preços internacionais reverteram a tendência de queda e começaram a subir. A cotação da tonelada de leite em pó na União Européia, que variava entre US$ 1,2 mil e US$ 1,3 em agosto, já chegou a US$ 1,4 mil.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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