Preço do leite gera crise em Alagoas

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Apesar de ser um dos setores que mais tem atraído investimentos para o Estado e que mais tem se desenvolvido nos últimos anos, a pecuária de leite em Alagoas está vivendo uma crise que tem como principais sintomas a insatisfação dos pecuaristas, a desvalorização do produto no mercado e a queda de produção.

Os produtores apontam o aumento de custos como o vilão dessa crise e iniciam, na próxima semana, uma série de protestos para aumentar o preço do litro de leite negociado com as indústrias locais, que em um ano caiu de R$ 0,38 para R$ 0,30, mesmo com um aumento dos custos de produção de mais de 50%, segundo o Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite).

As indústrias do setor alegam que não há como negociar um preço mais alto. No entanto, os produtores insistem pressionando o Sindicato das Indústrias de Laticínios de Alagoas (Sileal) que prometeu se posicionar até o próximo dia 21. “A ração subiu, os salários subiram, fomos obrigados pelas exigências de mercado a investir em melhorias técnicas e o preço do nosso produto foi ficando pra trás”, observa o presidente do Sindileite, Ricardo Barbosa.

Essa desvalorização do leite provocou uma queda de aproximadamente 30% na produção diária, que passou de 400 mil para 300 mil litros. Isso se deve principalmente ao crescente desinteresse dos produtores, os quais deixaram de investir e começaram a se desfazer de suas matrizes. Além disso, segundo a Federação da Agricultura, a crise está impedindo o surgimento de novas bacias produtoras.

Para o presidente da Federação da Agricultura, Álvaro Almeida, a única solução para a crise da pecuária de leite, no cenário atual, é a implantação do Programa do Leite. Na terça-feira, produtores e representantes de entidades se reuniram na Secretaria de Agricultura em uma tentativa de acelerar a viabilização do projeto. “Não há outra saída para o setor além desse programa do governo, que vai garantir um preço mínimo de R$ 0,42 para os pecuaristas”, observa Almeida.

Inicialmente, o governo deve negociar a compra de 20 mil litros diários de leite como ocorre em Pernambuco e na Paraíba, onde o programa já existe. Segundo Almeida, o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa já firmou o compromisso de comprar pelo menos 8 mil litros diários para a distribuição com famílias carentes. Para ele, o fato de os pecuaristas negociarem pelo menos uma parte de sua produção por um preço mais alto deve tornar o mercado mais competitivo e fazer com que o produto retome o caminho da valorização.

Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
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