Preço do leite deverá aumentar a partir de março na Argentina

Publicado por: MilkPoint

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O preço do leite aumentará a partir de março na Argentina, com variações que poderão estar entre 3% e 8%, segundo a decisão de cada indústria.

Desta forma, o preço do litro de leite vendido em saquinho nas gôndolas dos supermercados argentinos poderá chegar a 1,45 peso (45,88 centavos de dólar), contra os 82 centavos (25,94 centavos de dólar) que o produto era vendido antes da desvalorização. Os aumentos foram confirmados na segunda-feira pelos produtores de leite e indústrias de Córdoba.

"Era uma ilusão acharmos que, com a magnitude da desvalorização realizada pelo Governo, não houvesse aumentos nos preços. Não tem como evitar os aumentos porque corre-se o risco de mais propriedades leiteiras desaparecerem", disse o presidente da cooperativa de lácteos Manfrey, Ercole Felippa.

Da mesma forma, no próximo dia 28 de fevereiro, vence a "trégua" que as principais indústrias leiteiras da Argentina combinaram para frear os aumentos nos preços gerados pela queda na produção e pelo aumento dos custos. De fato, o presidente da La Sereníssima, Pascual Mastellone, antecipou em janeiro que em março ocorreriam os aumentos. Até agora a empresa não divulgou nenhum aumento, mas dentro de poucos dias deverá estar tomando uma decisão sobre a extensão ou não deste aumento. A companhia de Mastellone controla a metade do mercado de leite fluido da Argentina.

O eventual aumento dos produtos lácteos no varejo argentino foi antecipado pela mídia do país em janeiro e pode ser explicado por três causas fundamentais:

a) Menor oferta

Durante o ano de 2002, em todo o país, os produtores de leite entregaram à indústria pouco mais de 8,15 bilhões de litros; uma queda de 14% com relação ao ano anterior. Isto ocorreu em virtude da baixa rentabilidade da atividade, que provocou o êxodo de produtores de leite, os quais partiram para outras atividades com maiores margens, como a agricultura. Além disso, o aumento do preço interno dos grãos diminuiu seu uso para a suplementação dos animais. A isso se soma a estacionalidade da atividade, cuja produção se reduz no outono, e a incidência de altas temperaturas de verão, o que afetou o desempenho das propriedades leiteiras.

b) Desvalorização

De todas as atividades primárias, a produção leiteira - assim como a pecuária - foram as últimas a transferir o impacto da desvalorização da moeda sobre os custos de produção e sobre os valores da matéria-prima. Em dezembro de 2001, os produtores de leite argentinos recebiam 14 centavos (4,43 centavos de dólar) por litro, enquanto hoje este preço oscila entre 36 e 42 centavos (11,39 e 13,29 centavos de dólar).

Apesar destes preços ajudarem a cobrir os custos, os produtores argentinos asseguram que um valor ótimo seria de 50 centavos (15,82 centavos de dólar) por litro. Alguns produtores inclusive antecipam que, com a queda na produção dos próximos meses, os preços poderão chegar perto deste valor.

c) Exportações

O aumento da competitividade devido ao câmbio estimulou as exportações do setor, que, no ano passado, cresceram 40%. Apesar do preço do leite em pó ter baixado de US$ 1700 para US$ 1200 a tonelada, as exportações continuam sendo atrativas para as indústrias, que preferem apostar nos mercados externos ao invés do interno, o que reduz ainda mais a oferta e pressiona o preço no mercado interno.

À crise do setor se soma à queda de consumo que, atualmente, está em torno de 160 litros per capita por ano (próximo ao consumo per capita de uma década atrás), enquanto, em 1998, estava no patamar de 230 litros.

Aumento de preços

Além dos aumentos no preço do leite no varejo previstos para a próxima semana, os operadores do setor asseguram que as indústrias vêm aplicando ajustes em seus preços, fundamentalmente em produtos processados e de maior valor agregado, onde os aumentos ficaram entre 4% e 8%.

Em 25/02/03 - 1 Peso argentino = US$ 0,31646
3,16 Peso argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: La Voz del Interior, Córdoba, adaptado por Equipe MilkPoint
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