A escassez de leite no campo e a disputa entre os laticínios pela matéria-prima estão sustentando os preços ao produtor em plena safra. Em algumas bacias, as cotações chegaram a subir. É o caso do Rio Grande do Sul, onde o litro de leite tipo C aumentou 10%, para R$ 0,46, no caso da produção de janeiro paga em fevereiro, segundo a Scot Consultoria.
Também foram apuradas altas em Goiás (2,2%, para R$ 0,44 por litro) e Paraná (1,46%, para R$ 0,43). Em Minas Gerais e São Paulo, as cotações ficaram estáveis - R$ 0,44 e R$ 0,42, respectivamente. "A produção não reagiu de forma expressiva, pois as chuvas foram concentradas em janeiro, o que prejudicou as pastagens", diz Gustavo Beduschi, da Scot.
Para o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Luiz Fernando Laranja, outro fator de sustentação dos preços é a desvalorização do real, que dificulta importações. Em janeiro, o Brasil importou 5,2 mil toneladas de leite em pó, ante 10,3 mil em dezembro.
Esses fatores levam a uma intensa competição entre os laticínios pela matéria-prima nacional. A concorrência é a principal explicação para a forte alta de preços no Rio Grande do Sul. O Estado, onde atuam Elegê e Parmalat, ganhou novos players na captação de leite. "Há mais concorrência hoje. É possível vender leite para Nestlé, Tirol, Líder", diz Luiz Paraboni Filho, diretor do setor primário da Cooperativa Tritícola de Erechim (Cotrel), que vende 120 mil litros por dia.
A Líder Alimentos, terceira maior produtora de longa vida do país, começou a captar no Estado esse mês por meio de uma parceria com o Laticínio Bom Gosto. Pelo acordo, a Líder envia as embalagens e o leite in natura, para ser industrializado pelo Bom Gosto. Em janeiro, foram produzidos 35 mil litros de longa vida por dia, mas o volume deve chegar a cerca de 50 mil em abril, segundo o diretor administrativo da Líder, Irinaldo de Lima.
"Esses novos compradores geraram um nervosismo no mercado", admite uma fonte de um grande laticínio que atua no Rio Grande do Sul. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Parmalat informou que a produção de leite caiu 10% no Rio Grande do Sul em 2002, o que leva a uma pressão dos preços ao produtor. Procurados pelo Valor, os diretores da Elegê não foram localizados para comentar o assunto.
Fonte: Valor Econômico (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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