PR tenta reduzir custo de alimentação do rebanho

Publicado por: MilkPoint

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A busca de maior eficiência e redução de custos da alimentação, item que representa 45% dos custos da pecuária leiteira, são o foco principal da 2a Agroleite, que será realizada entre hoje e sábado, em Castro (Região dos Campos Gerais, a 140 quilômetros a noroeste de Curitiba). O evento é promovido pela Cooperativa Agropecuária Castrolanda.

Embora a região tenha a melhor produtividade do País, 8,5 mil litros por vaca/ano, e produza uma matéria-prima que, devido à sua qualidade, é disputada pelas principais indústrias lácteas, também sofre os efeitos da queda de preços pagos ao produtor. Segundo o coordenador da Agroleite, Ronald Rabbers, os R$ 0,38 por litro superam em apenas R$ 0,02 o custo de produção, de R$ 0,36.

Um estudo realizado pela Fundação ABC, braço de pesquisa das cooperativas Castrolanda, Capal (de Arapoti) e Batavo (de Carambeí), concluiu que a pecuária leiteira vive sua pior crise histórica. A partir de 1990, com a abertura das importações do governo de Fernando Collor, os preços entraram em uma curva descendente, ao mesmo tempo em que as máquinas e insumos, boa parte cotada em dólar, dispararam.

De acordo com o estudo, realizado pelo agrônomo Felipe Pires de Camargo em seu estágio na fundação, os pecuaristas hoje recebem o mais baixo pagamento em dólar. Entre 94 e 97, o produtor ganhava US$ 0,23 por litro. De 1998 a 2001, o preço médio caiu para US$ 0,16 o litro.

"Num cenário desses, a alimentação é o principal fator de estrangulamento na gestão das propriedades leiteiras", afirma o agrônomo e diretor técnico da Fundação ABC, Marcos Valentini. O estudo que analisou 65 propriedades, de todos os portes, que representam 20% do plantel das três cooperativas, concluiu que, dependendo da gestão dos recursos de alimentação do rebanho, a taxa de retorno do capital investido varia de 5% a 30%.

"Isso pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso em um setor em que o volume de investimentos é muito grande", diz Valentini. Uma vaca leiteira custa, em média, R$ 2,5 mil. A Fundação ABC desenvolveu um programa para melhorar a alimentação do rebanho na região, mantido nos sistemas de confinamento e misto (o animal passa parte do dia no pasto e o restante no estábulo).

Em seu laboratório, a ABC pesquisa o balanceamento da ração, para que ela tenha melhor qualidade protéica e energética. A fundação também estimula a divisão dos animais por grupos, pelo critério de produção, para que os mais lucrativos sejam melhor alimentados. Outro trabalho estipulou o ponto certo do corte do milho para a silagem, para melhor aproveitamento dos grãos pelo aparelho digestivo do animal.

A fundação busca ainda resgatar a alfafa, forrageira muito utilizada na alimentação dos rebanhos em outros países e que foi abandonada no Brasil, na década de 80. "Precisamos depender o mínimo possível de proteína dolarizada, como o farelo de soja e o caroço de algodão", explica Valentini.

No ano passado, a Castrolanda criou um programa pelo qual subsidia a importação de máquinas de silagem usadas da Holanda. Já foram compradas sete máquinas, que percorrem as propriedades dos produtores, em rodízio.

Segundo o coordenador da Agroleite, a saída para o setor é a redução de custos de produção e o aumento da produtividade. Essa receita vale mesmo para os Campos Gerais, a principal bacia leiteira paranaense, onde o setor é altamente tecnificado.

História

A tradição leiteira foi iniciada há 50 anos, com a chegada dos primeiros imigrantes holandeses, que deixavam a Europa na depressão que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Em 1954, foi criada a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, que originou os produtos Batavo.

Em 1999, a cooperativa vendeu 51% de suas ações para a multinacional italiana Parmalat, criando a Batávia, resultado da associação. Há um ano e meio, foi a vez da união dos produtores. Capal, Batavo e Castrolanda criaram o Pool de Leite ABC. Com 500 associados, que produzem 13 milhões de litros por mês (7,5% do total paranaense), o pool destina 40% de sua produção à Batávia. Os 60% restantes são disputados por indústrias como Nestlé, Danone e Colasso.

Além disso, a região vende animais para as principais bacias leiteiras do País. Isso é resultado de investimentos em melhoramento genético e em tecnologia, sanidade e alimentação balanceada. Alguns exemplos: a inseminação artificial é praticada na região há mais de 40 anos; todos os animais são examinados regularmente em relação às principais doenças, como brucelose e tuberculose; o leite é resfriado nas propriedades (exigência que só passará a vigorar no Sul do País em julho de 2005).

Soluções para crise

Nascida como uma exposição tecnológica no ano passado, a Agoleite ampliou seu foco e, na segunda edição, se preocupa mais em buscar soluções para o setor. A mudança foi gerada pelas circunstâncias. A primeira edição do evento, em agosto do ano passado, coincidiu com o ápice da crise. O preço pago ao produtor havia caído R$ 0,12 em três meses e chegara a R$ 0,24.

A Agroleite planeja se tornar referência nacional na cadeia produtiva, com debates que englobem desde aspectos técnicos da produção até as políticas do setor. Na edição que se inicia amanhã, terá exposições dinâmicas e estáticas, reuniões técnicas, leilões e premiação de plantel. O evento será realizado em uma área de 30 hectares, no Parque Dario Macedo. O objetivo dos organizadores é gerar negócios de R$ 5 milhões e repetir o público do ano passado, que chegou a 30 mil visitantes. O Paraná é o quinto produtor brasileiro de leite, com 2,1 bilhões de litros no ano passado (9,1% do total nacional).

Fonte: Gazeta Mercantil (por Valmir Denardin), adaptado por Equipe MilkPoint
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