Debater técnicas e experiências que garantam a redução nos custos da produção. É com esse e outros objetivos que pecuaristas do Paraná, Minas Gerais e São Paulo estarão reunidos entre os dias 14 e 17 de agosto em Castro, participando da 2.ª Agroleite. O evento, organizado pela Cooperativa Castrolanda, deverá receber 30 mil visitantes no Parque Dario Macedo (PR) e movimentar mais de R$ 5 milhões em negócios.
São pelo menos 85 expositores. A festa terá cerca de 700 cabeças de gado das mais variadas raças, estandes de insumos para a atividade agropecuária e de fábricas de medicamentos e ração para animais. O foco principal, porém, serão os fóruns programados para ocorrer durante os quatro dias de evento, conforme explica o coordenador da Agroleite, Ronald Rabbers.
"Queremos ser um evento referência para o setor. Por isso, trocar experiências, discutir os problemas e criar uma cultura de mobilização entre os produtores são questões mais importantes neste momento do que a geração de negócios. Depois que a Agroleite estiver consolidada, aí sim teremos como alvo os negócios", diz.
É nos fóruns que a diminuição de despesas será debatida. Hoje, segundo Rabbers, os produtores do chamado Grupo ABC (formado pelas cooperativas de Arapoti, Batávia e Castrolanda) vendem cada litro de leite a R$ 0,38. No entanto, saem lucrando apenas R$ 0,02, já que o restante (R$ 0,36) é o necessário para cobrir os gastos.
A meta, destaca o coordenador, é adotar medidas que baixem as despesas, inicialmente, em 10%. O ideal, continua ele, é que os custos fossem em torno de R$ 0,26. "Mas isso varia muito. A oscilação do preço do leite, que não depende de nós produtores, pode, por exemplo, subir muito, então as despesas de hoje não teriam um peso tão grande", esclarece.
Rua do Leite
Um espaço na feira, a "Rua do Leite", vai mostrar como alguns cooperados conseguiram gastar menos para produzir leite de boa qualidade. Substituir o farelo de soja, ingrediente de ração para animais, é uma das opções que devem ser adotadas pelos produtores, sugere o diretor técnico da Fundação ABC (entidade de pesquisa mantida pelo grupo), Marcos Ludovico Valentini.
O farelo de soja tem o valor atrelado à cotação do dólar (a soja é produto de exportação). Com a alta recente da moeda norte-americana, os criadores estão gastando mais para adquirir o farelo. "Cevada e alfafa estão entre os ingredientes que podem ser acrescidos na ração, no lugar do farelo de soja", ressalta Valentini. Outra saída é o próprio criador de gado produzir a alimentação que é dada aos animais.
Além dos fóruns, estão marcados o 1.º Encontro Nacional de Criadores de Pardo Suíço, a 37.ª Castrolanda, o 1.º Leilão Elite de Novilhas da Raça Holandesa, o 3.º Dia Nacional do Suinocultor e a Feira de Sabores do Paraná.
Produto tem menos bactérias
A região dos Campos Gerais é a maior produtora de leite do Paraná. Só os associados das três cooperativas que formam o chamado Grupo ABC produzem 83 milhões de litros por ano. Mas a qualidade é o maior adjetivo. Tanto que o "pool" das três cooperativas vende leite para indústrias de Minas Gerais, estado que é o maior produtor de leite do Brasil, e São Paulo, que disputa com os paranaenses a quarta colocação, Goiás e Rio Grande do Sul ocupam a segunda e a terceira posição.
O que diferencia o leite dos Campos Gerais é a quantidade de bactérias por mililitros, bem abaixo do máximo permitido, que é de 150 mil/ml. "Cerca de 90% do nosso leite tem menos de 50 mil bactérias por ml", salienta Rabbers.
Fonte: Gazeta do Povo/PR (por Wagner de Alcântara Aragão), adaptado por Equipe MilkPoint
PR: Agroleite deve movimentar R$ 5 mi
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