O Governo do Rio Grande do Sul, através da Fundação de Pesquisa Agropecuária (Fepagro Sul), desenvolve diversas pesquisas direcionadas à recuperação da bacia leiteira da região, investindo R$ 30 mil através do Programa de Desenvolvimento da Bacia Leiteira da Região Sul (Prodaleite). De acordo com levantamento realizado pela Fepagro, existem cerca de seis mil produtores de leite na Zona Sul. O estudo constatou que em 48% das propriedades a produção diária está abaixo de 30 litros, com produtividade média de quatro litros por vaca ao dia.
Segundo diretor da Fepagro Sul, Paulo Timm, apesar do esforço para a melhoria genética do gado de leite, principalmente com o uso de inseminação artificial, está constatado que este incremento não tem se refletido de forma satisfatória no aumento da produtividade.
No sistema de cria e recria de terneiras, utilizadas pelos produtores, a alimentação fornecida geralmente é de baixa qualidade, devido à preferência pelas vacas em lactação. Este fato mostra que um dos pontos críticos da baixa produtividade do rebanho leiteiro tem origem no manejo inadequado dos animais jovens, que têm na fase adulta seu potencial genético afetado em função da carência nutricional no período de formação corporal.
Baseando-se nestas constatações a Fepagro Sul em parceria com a Emater, Embrapa e organizações de agricultores, implantou o sistema coletivo de recria de terneiras leiteiras. O método consiste no agrupamento dos animais jovens para manejo específico, com atividades programadas do desmame até seis meses de prenhez.
Entre dezembro de 1999 e agosto de 2000, foram selecionados 70 animais das raças holandês e jersey em propriedades de base familiar da região, com idade de desmame ou desmamados. A partir deste momento, já na sede da Fepagro, passaram a receber tratamento em regime semi-extensivo, com alimentação baseada em pasto nativo, pastagem cultivada e suplementação estratégica, visando a atingir 300 quilos aos 18 meses, com média final de ganho de peso de 0,5 quilo ao dia.
Segundo Timm, o sistema desenvolvido demonstrou viabilidade técnica e econômica, pois contou com padrão tecnológico que atendeu à realidade local a baixo custo de produção, obtendo índices de evolução corporal adequados à genética dos animais. "Trata-se de sistema simples, que pode ser implantado por associações ou cooperativas de produtores de leite visando à melhoria do processo produtivo do gado leiteiro".
Fonte: Diário Popular/RS, adaptado por Equipe MilkPoint
Pesquisas visam melhorar produção leiteira no RS
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